Política

Não fique à deriva: saiba o que é o tripé macroeconômico

Diário de Aparecida falou com dois economistas que explicaram a importância do plano e de os pré-candidatos conhecê-lo

Instituído para dar solidez ao Plano Real, em 1999, o tripé macroeconômico vem da ideia de que uma confirmação de várias áreas da economia seria necessária para fortalecer a moeda. O Diário de Aparecida buscou informações sobre como o projeto se sustenta e de que forma ele será decisivo para as próximas eleições.

 

Tripé

Como o nome diz, o tripé macroeconômico consiste em três elementos: campo flutuante, controle da inflação e política fiscal restritiva. No primeiro elemento, o governo não pode intervir no mercado de câmbio para controlar o valor do dólar.

Segundo o economista Adriano Paranaíba, a vantagem dessa meta é que, “se o real se valoriza em frente ao dólar, é sinal de que esta é uma moeda forte. Se o Estado interfere no preço de câmbio para controlar o valor, seja comprando ou vendendo a moeda americana, transmite para todos que esta não é uma moeda forte”.

Para compreender o segundo elemento, é preciso ter em mente o que é inflação. O “bicho de sete cabeças” tão falado na época do ex-presidente Collor significa o aumento dos preços da economia. Ela é causada por vários fatores, seja pelo dólar alto, pelo aumento da demanda ou por encarecimento dos fatores de produção.

Outra forma mais simples para compreender é dada por Paranaíba. “Inflação nada mais é do que o real perder o valor de compra.” Com essas definições se torna mais fácil a explicação de porque é necessário fazer o controle desta. O processo vem do Banco Central, que faz a gestão pelo depósito provisório ou pelas manutenções da taxa de juros. “A taxa de juros controla a inflação. Se ela for mais alta faz com que a pessoa pense antes de comprar e contrair uma dívida.”

Por último temos a política fiscal restritiva ou meta de superávit primário. Esta consiste em estabelecer um objetivo positivo para o resultado primário do governo. Ela é usada quando estamos perante uma expansão excessiva da economia e a inflação começa a escapar do controle. Para o economista, se uma parte do tripé falha, então todo o sistema está sujeito a dar problemas.

 

Na atualidade

Embora os economistas até então discutam sobre o papel do tripé, sua presença na atualidade ainda é importante. Adriano Paranaíba lembra que, até o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a economia brasileira era sólida.

“A taxa de inflação nesta época era baixa, assim como as contas públicas em ordem. O que aconteceu foi que, ao assumir, Guido Mantega determinou que não seria usado mais o tripé, mas um novo plano que ele chamou de ‘uma nova matriz macroeconômica’.”

Para o economista, essa nova matriz abandona o antigo plano e realiza uma ação contrária, ou seja, o governo começa a interferir no mercado de câmbio, aumenta o gasto público – pois começa a comprar e vender dólar – e com isso volta com a inflação. Paranaíba defende que o tripé é o plano que mais deu certo na economia brasileira. Deixar de lado favoreceu os argumentos para o impeachment de Dilma e os reflexos dessa ação estão no que vemos agora.

 

Eleições 2018

O panorama atual apresenta uma eleição complicada. Neste momento, as pessoas querem saber dos candidatos o que eles têm a falar sobre a economia. Conversamos com a economista, gestora e doutora Andréia Magalhães sobre o que ela espera dos candidatos. Ela acredita que saber o que é o tripé é de suma importância.

“Todo gestor precisa conhecer, dentre todas as informações que lhe são cabíveis sobre a sociedade, também sobre a economia do País. Mais que isso, compreender que um país precisa se autossustentar. Um gestor deve conseguir fomentar o sistema tributário tanto pelo cidadão trabalhador quanto pelas empresas.”

A economista compreende que o tripé macroeconômico deve ser tema para os debates. “Mas não só isso. Deve ser mais. Os gestores nacionais têm que ser efetivos na aplicabilidade da melhora do País e do atendimento de cada cidadão.” (Fernanda Peixoto  é estagiária supervisionada pelo editor Francisco Costa)

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