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O custo da ética…

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Somos, entre as economias emergentes, uma das mais promissoras e, de certa forma, a mais eficiente no aspecto produção e realização de bens e serviços para a consolidação econômica, seja por nosso potencial primário extrativista e, em especial, pela amplitude e disponibilidade territorial e climática que nos amplia o potencial produtivo.
Para além destes aspectos, como herança histórica, aprendemos, na produção primária, o estabelecimento sequencial de recordes produtivos equilibrados entre a expansão e a ampliação da produtividade, e nisto, no momento histórico em que o mundo, em sua constante ampliação populacional, clama por alimentos, temos diante da humanidade a mesma responsabilidade do Egito bíblico com o tempo das vacas gordas.
A responsabilidade é semelhante, como se na roda-gigante da história mudasse o país e a nação escolhida, mantendo o roteiro e as personagens centrais da exploração e do domínio de povos sobre povos.
Vasta extensão territorial, clima, solo e tecnologia, nação plenamente acostumada e condicionada ao processo de relações internacionais elevadamente favoráveis aos produtos essenciais realizados por nossa economia, e isto deveria ser os elementos que realizariam o maior índice de desenvolvimento humano e econômico da história da humanidade, em todos os tempos.
Deveríamos realizar outro momento de glória e realizações na humanidade, tudo embasado nas mais profícuas realizações do conjunto de especificidades extraordinárias da nação brasileira.
Não aconteceu e nem vai acontecer.
Não aconteceu por termos permitido que fôssemos negociados no mundo por preços aquém dos nossos valores, em troca de recursos individualizados para alguns espertalhões, depositados em paraísos fiscais.
Não aconteceu e nem irá acontecer por nos permitirmos consolidar o maior mecanismo de desvio de recursos públicos para haveres privados de toda a história da humanidade e entendermos que isso é normal, assim como achamos que é normal sonegar impostos, subornar alguém para alguma vantagem pessoal, ou usar pessoalmente algo que deveria atender à coletividade.
Este conjunto de condutas nos custa valor que nem imaginamos.
Quanto vale termos a melhor saúde pública do mundo, atendendo a tudo e a todos sem distinção alguma, nem mesmo do mais custoso procedimento?
Quanto vale termos as melhores escolas públicas e gratuitas com a melhor qualidade possível de ensino a todos, sem distinção de classe, credo, condição social e principalmente localidade?
Quanto não vale moradia segura e confortável, com sistema de saneamento e demais serviços públicos com qualidade abundante para todos e em absoluta consonância com padrões de conforto e sustentabilidade?
Qual seria o valor de não termos o que pedir ou reclamar da segurança pública a medida que a segurança pública rendeu-se à paz da seguridade social?
Mas isso tudo nos é interceptado por uma atitude que é individualmente barata e coletivamente tão cara e preciosa, a ética.
Você já refletiu sobre isto?
Você já calculou o tamanho do prejuízo que a falta de conduta individual oferta para o coletivo da nação brasileira?

 

Semi Gidrão é escritor, poeta e editorialista