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O filho pródigo

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No Evangelho segundo escreveu Lucas, no capítulo 15, é narrado um extraordinário episódio. Nos versículos 1 e 2, relata que, pela primeira vez na história, os perdidos pararam para ouvir as palavras de um homem diferente, mas cheio de Deus. Até o momento, as mensagens dos doutores da lei, dos sacerdotes da época, não chamavam a atenção dos miseráveis e dos pecadores e dos que não tinham religião.
Mas, de repente, aparece um homem humilde, conhecido por “amigo dos pecadores”, que falava a língua do povo, o aramaico, que tinha doçura em sua vida e que não acusava ninguém. Porém, lhes ensinava que era chegado o reino de Deus. É dito por Lucas as seguintes palavras: “Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.”
O que a religião não conseguiu fazer, Jesus Cristo fez: ir ao encontro dos perdidos e dos excluídos. Aliás, os religiosos da época não faziam questão de ter esse público de pessoas perdidas. E os pecadores também nunca pararam para os ouvir. Havia um abismo entre eles.
Porém, aparece no cenário da Judeia um homem diferente, o filho de Deus, que sempre deixou claro que sua missão era buscar os perdidos, pois os sãos não necessitam de médicos. O fato é que, pela primeira vez, as prostitutas, os ladrões e os cobradores de impostos foram atraídos pela doçura das palavras de Jesus Cristo de Nazaré, como era conhecido. E, neste contexto, Jesus começa a lhes narrar três parábolas incríveis: a da ovelha perdida, a da dracma perdida e a do filho pródigo. Todas elas remetiam a um mesmo propósito, de que sempre, ao se achar algo valioso que estava perdido, é motivo de se celebrar.
Nessa pequena reflexão, vamos ater apenas à do filho pródigo, que, com certeza, através dessa mensagem, Jesus Cristo estava querendo mostrar que há filhos perdidos dentro da casa do Pai. O filho pródigo morava no aconchego de seu pai, tinha o amor de seu pai. Porém um dia resolveu abandoná-lo e viver em terras distantes. Ele pediu parte de sua herança e foi viver de uma forma devassa. No versículo 13 desse capítulo diz que, ali naquela terra, o filho pródigo dissipou todos os bens e passou a viver com porcos e a desejar ardentemente a comida deles.

“A vida é dura, curta e incerta”
E essa é a condição de qualquer pessoa que abre mão de viver na presença de Deus Pai. Mais cedo ou mais tarde, essa pessoa vai viver com porcos, irá perder o sentido da vida, pois a vida é dura, curta e incerta. Mesmo em terra distante, aquele filho lembrou de seu querido pai, de como ele era um homem justo e tratava a todos com justiça. Aquele filho pródigo cai em si e resolve voltar ao aconchego do seu pai. Já nem se importava de ser tratado como filho. Para ele, ser tratado como um servo já seria o suficiente.
Mas aquele pai amoroso nunca havia perdido a esperança de ver o retorno de seu filho perdido. E um dia, ao observar a estrada, o pai avistou de longe seu filho amado e perdido. Correu até ele, o recebeu novamente em sua casa, lhe restituiu a dignidade de filho e de ser humano. E, não obstante, ainda lhe preparou uma grande festa.
Nessas três parábolas citadas por Jesus nesse capítulo, todas falam de algo precioso que havia sido perdido, mas que, ao ser resgatado, achado e adquirido, foi motivo de festa.
Jesus estava querendo mostrar e ensinar com essas parábolas que nosso Deus é bom, amoroso e que tem prazer em receber de volta a todos quantos estão perdidos em seus conceitos e crenças. Pois a vontade do Senhor é que nenhum se perca e que todos sejam salvos.

“A vontade do Senhor é que nenhum se perca e que todos sejam salvos”
Essa mesma história se repete em nossos dias: quantos filhos pródigos saíram da casa do pai, foram para terras distantes. Porém, por mais que esses filhos encontrem prazeres, festas e tantas badalações, aconchego e amor só podem ser desfrutados na presença de um pai de amor. Deus nos aguarda, com amor, com uma festa preparada, com vestes novas, com anel de honra a ser colocado no dedo, com sandálias para os pés e com uma grandiosa expectativa a todos os filhos pródigos que um dia decidiram deixá-lo.
Com essas palavras, Jesus Cristo trouxe alento para todos os publicanos e pecadores que tinham sido excluídos da religião. Ele conseguiu chamar suas atenções e dizer que há um Deus de amor nos céus e que não faz acepção de pessoas e aguarda com muito amor e afeto a todos que se encontram distantes. Pense nisso, você é precioso como uma ovelha ao seu pastor, como uma moeda valiosa perdida e como um filho pelo seu pai.
Deus o abençoe nesse dia.

Pastora Eluciene Pires
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