Entrevista

“Se depender da Secretaria Municipal, até o final de abril vamos abrir a ala pediátrica para resolver essa crise na pediatria do Estado”, declara Alessandro Magalhães

O titular da Secretária de Saúde, em entrevista ao Diário de Aparecida, comentou sobre o balanço de um ano de gestão e também explicou quais ações estão sendo desenvolvidas no município

Marcelo Mendes

Em entrevista exclusiva ao Diário de Aparecida, o secretário municipal da Saúde, Alessandro Magalhães apresentou o balanço de um ano de gestão. Também comentou sobre a situação da dengue no município, em que as notificações já superam os 4 mil casos.

O gestor da saúde aparecidense explicou como foram as conversas com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e com o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, no sentido de antecipar a inauguração da ala pediátrica do Hospital Municipal de Aparecida (HMAP).

Diário de Aparecida – Qual é o balanço da gestão nesses primeiros 3 meses do ano e durante esse primeiro ano a frente da Secretaria de Saúde aparecidense?

Alessandro Magalhães – Completou um ano de gestão na terça-feira e foi um ano em que enfrentamos inúmeros desafios. Conseguimos organizar as nossas unidades que estavam com alguma situação de falta de estoque e abastecimento, em que conseguimos equilibrar. Esse foi o primeiro desafio vencido. A sequência foi comprar os equipamentos do Hospital Municipal. Com o dinheiro passado pelo Ministério da Saúde, tivemos esse desafio de adquirir equipamentos e colocar o hospital para funcionar. E a gente conseguiu abrir ele no dia 19 de dezembro. Além disso, fizemos algumas alterações no processo de trabalho, para dar qualidade no atendimento prestado para a população. Também concluímos o Projeto Lean, que é um projeto que a cada 10 hospitais americanos, seis usam isso, que visa reduzir desperdício e otimizar o processo de trabalho.

DA – Qual o principal desafio para este ano?

AM – O grande desafio que temos para esse ano é aproximar a saúde e principalmente a atenção primária da população. Com a atenção primária resolutiva e disponível para o paciente quando ele precisa, isso vai desafogar as urgências, ou seja, desafogar as UPA’s e vai também evitar a internação. Um dos projetos é o ‘Aparecida em Boa Forma’, que visa conscientizar a população que é melhor prevenir a hipertensão com atividade física e boa alimentação. Temos outros projetos também que vai acompanhar os pacientes diabéticos para facilitar o acesso às medicações e as consultas médicas, para evitar complicações e internações. Temos um desafio também que é o projeto de acompanhamento das nossas gestantes, que é melhorar o atendimento da Maternidade Marlene Teixeira, que é pequena, de baixo risco, que não atende só Aparecida e sim toda a Região Centro-Sul. Estamos concluindo esse projeto de acompanhar todas as gestantes com o mínimo de sete consultas e os exames de acompanhamento até o parto.

DA – A recente mudança na diretoria do Hospital Municipal foi determinação da Secretaria?

AM – Foi opção da Organização Social. Nós só fomos comunicados da troca. Não passou por uma determinação da Secretaria, foi uma escolha deles e uma decisão interna deles de trocar da direção geral do Hospital Municipal.

DA – Aparecida já tem mais de 4 mil casos de dengue notificados. Quais ações estão sendo desenvolvidas no município?

AM – No nosso cenário hoje, Aparecida não está entre os 10 municípios goianos no ranking de dengue, em relação a proporcionalidade de população. Estamos preparados e as equipes de vigilância em saúde têm trabalhado diuturnamente para eliminar os focos. As unidades de saúde estão estruturadas para esses atendimentos. Tem unidades que até reforçamos a equipe de médicos, até por conta dessa situação da pediatria, antes trabalhávamos com dois médicos e agora estamos com três médicos que atendem pediatria. A estrutura da secretaria está pronta para enfrentar a dengue, agora precisamos da ajuda da população. Muitas vezes o foco está dentro do domicílio.

DA – O prefeito ofereceu a ala pediátrica do Hospital Municipal para o Estado viabilizar a instalação de UTI’s infantis. Como está essa situação?

AM – O prefeito sensibilizado com a situação das crianças no Estado entrou em contato com o governador e colocou o Hospital Municipal à disposição. Na terça-feira, o secretário de Estado da Saúde fez a visita ao hospital. Eu e o prefeito também tivemos uma agenda com o ministro da Saúde para tentar viabilizar os recursos da segunda etapa de inauguração do hospital, que são os R$ 23 milhões para equipamentos e R$ 2 milhões de custeio mensal. Com o secretário de Estado da Saúde, nós alinhamos para antecipar a abertura da UTI pediátrica e dos 30 leitos pediátricos. Sentamos na terça-feira à noite com o pessoal da Organização Social, que ficou de apresentar um planejamento ainda nesta quarta-feira [ontem], para termos o cenário definido. Se depender da Secretaria Municipal, até o final de abril vamos abrir a ala pediátrica para resolver essa crise na pediatria do Estado. O hospital tem uma estrutura pronta e dá conta de dar uma assistência para essas crianças.

DA – Como foi a sinalização do ministro da Saúde em relação as demandas apresentadas?

AM – O ministro determinou que a equipe técnica avalie a liberação dos R$ 23 milhões, que já estão empenhados e com portaria publicada, que na realidade só falta o pagamento. Então ele pediu para equipe técnica avaliar a viabilidade econômica do caixa do Ministério para nos repassar a quantia. Quanto aos R$ 2 milhões, será preciso um estudo técnico e vai depender um pouco do cenário. Se conseguirmos antecipar a abertura da pediatria, acho que o ministro e o governador, que tem sensibilidade nesse sentido, possam nos ajudar que esse repasse seja liberado mais rapidamente. Até porque a população precisa desse hospital. Nesse cenário, nós conversamos com o ministro e é possível que ele anuncie essa liberação desses recursos no dia 12 de abril, em que está prevista a visita dele.

DA – A crise na saúde municipal de Goiânia impacta no sistema de saúde aparecidense?

AM – Já está acontecendo. Não somente de Goiânia, mas de todo entorno de Aparecida e de municípios do interior tem nos procurado. Até 40% dos nossos atendimentos em urgência hoje já não é de Aparecida. Na UBS Nova Era, no último levantamento deu 50% de atendimentos de pacientes que não eram de Aparecida. Por isso temos ampliado o quadro médico para dar conta do atendimento. Além disso, tem toda demanda da dengue, e é possível que essa demanda aumente um pouco. A secretaria se preparou para atender essa demanda.

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Bia Mendes

Repórter da editoria de política. Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possui MBA em Gerenciamento de Projetos

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