Política

Uma eleição temperada com fake news

Pesquisador em Comunicação Política, Marcos Marinho falou ao Diário de Aparecida sobre o panorama do pleito de 2018

Em julho começam as propagandas eleitorais e um dos maiores desafios desse pleito serão as fake news. O termo, que significa “notícias falsas”, se proliferou recentemente com a eleição dos Estados Unidos, que resultou na candidatura do republicano Donald Trump. O pesquisador em Comunicação Política Marcos Marinho falou ao Diário de Aparecida sobre o assunto em relação às eleições de 2018.

Segundo ele, o termo é novo, porém a ação, não. Ela substitui o famoso boato mentiroso, que sempre esteve presente no mundo todo. Um exemplo, diz ele, é a eleição de 1989, quando vários rumores foram espalhados sobre o ex-presidente Lula (PT).

“A questão que temos percebido é que a sociedade gosta de um slogan e o termo ‘fake news’ pegou bem para nominar uma prática que agora tem mais visibilidade que antigamente.” Outra grande diferenciação é que, nesse momento, com as redes sociais, se pode discriminar um conteúdo rapidamente e atingir o maior número de pessoas.

 

Dos objetivos aos efeitos

Marinho comenta que existe uma gama de objetivos para a propagação. “Donald Trump rotula qualquer informação de fake news para desconstruir um fato que não é favorável a ele. Percebemos na fala dele que tudo que o ataca ou que não o beneficia é uma notícia falsa.”

Outro propósito é para o ataque ao oponente. Utiliza-se esse dispositivo para criar um cenário no qual o outro tenha que dar mais uma atenção. “O tempo que uma pessoa gasta para desconstruir ou negar uma fake news é o tempo que ele poderia usar para fazer sua campanha. Muitas vezes a ideia dessas notícias não é nem convencer o leitor, mas atrapalhar a ação do seu oponente.” Marcos Marinho ressalta outra finalidade: a dispersão. “Um candidato que é atacado pode criar uma situação para tirar o holofote de cima dele.”

Nisso, vêm os efeitos. Dentro de uma eleição, as propagações dessas notícias resultariam numa análise equivocada e na adoção de uma perspectiva mentirosa. “Para os eleitores, isso é ruim porque leva ao engano. Faz com que uma pessoa tome uma decisão pautada em algo completamente irreal. Para os candidatos, é a perda de tempo para desconstruir a mentira.”

 

Eleições 2018

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Fux, falou na última quinta-feira, 8, que o candidato será punido se ficar comprovado o uso de fake news contra o oponente. Isso porque, como lembra Marcos Marinho, o cenário de 2018 é propício para essa ação, pois há uma amplificação, nunca antes vista, ao acesso à informação nas redes sociais.

Além disso, o contexto é horrível, segundo Marinho. A população está cansada dos escândalos e enraivecida com a classe política. “As pessoas já estão dispostas a ter raiva e para elas será muito fácil acreditar em qualquer mentira. Para mim, a pessoa se aproxima e se coloca no meio dessas fake news, muitas vezes, porque ela quer confirmar o que ela pensa.”

Por fim, embora o presidente do TSE alegue que não vai tolerar as notícias falsas, o pesquisador Marinho não crê que isso vá ocorrer. Primeiro, porque o órgão não tem a estrutura necessária para a investigação; e segundo, porque o tempo entre o início da propaganda eleitoral e a votação é muito curto. “O TSE precisa criar campanhas para ensinar o povo a não embarcar nessas notícias.”  (Fernanda Peixoto é estagiária supervisionada pelo editor Francisco Costa)

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