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“Com honestidade e coragem, dá para transformar a realidade”

Governador por dois mandatos, Ronaldo Caiado lembra que “a realidade enfrentada pelos goianos era dura, um estado absolutamente sequestrado e sem credibilidade; a minha paixão é governar com respeito ao dinheiro público, honestidade e combate duro à corrupção”

Sete anos e três meses após assumir a gestão estadual, Ronaldo Caiado (PSD) renunciou na última terça-feira (31/03) ao restante do segundo mandato de governador do estado para concorrer à presidência da República. A projeção nacional que conquistou nos últimos anos é reflexo de uma gestão que transformou Goiás em referência nacional em áreas fundamentais como segurança pública, educação, saúde e assistência social. Caiado deixou o Palácio das Esmeraldas ostentando uma aprovação acima dos 85%, disparada a mais alta entre todos os governadores. Em entrevista exclusiva ao Diário de Aparecida, ele explica em detalhes não só como administrou, mas como transformou a mentalidade do Estado, além de projetar sua nova empreitada.

Diário de Aparecida – Governador, o senhor costuma afirmar que ‘devolveu Goiás aos goianos’. Que significado concreto esse sentimento de pertencimento representa hoje para a população e como ele orienta os próximos passos do seu projeto político?

Ronaldo Caiado – Devolver Goiás aos goianos sempre foi o meu maior compromisso. A realidade enfrentada pelos goianos era dura, um estado absolutamente sequestrado e sem credibilidade. O cidadão não tinha acesso à saúde perto de sua casa e o tratamento mais acessível era o transporte de ambulância para a capital. A criminalidade tomava conta das ruas. As escolas se encontravam em total deterioração. Esses são alguns exemplos de como o cidadão estava abandonado. Goiás não era mais dos goianos, era dominado pela bandidagem, pelo crime e pela negociata para assaltar os cofres públicos que chegou ao total colapso, com uma dívida consolidada de mais de R$ 20 bilhões. Eu nunca deixei de ter indignação com tudo isso. Quando assumi o governo em 2019, a minha maior preocupação era não desonrar nenhum goiano, nenhum voto recebido. Hoje, depois de sete anos de trabalho, é gratificante dizer que o pertencimento que Goiás leva ao Brasil virou algo concreto: é o filho do trabalhador na melhor educação pública, o comerciante abrindo as portas sem medo e a saúde chegando ao interior. Somos o estado mais transparente e digitalizado do país. O cidadão vê um governo eficiente, que transformou Goiás em polo de Inteligência Artificial reconhecido na América Latina e recolocou Goiânia no circuito de grandes eventos. É esse modelo que mostro ao Brasil: com honestidade e coragem, dá para transformar a realidade e cuidar das pessoas.

Goiás é reconhecido atualmente como o estado mais seguro do Brasil. Quais foram os principais pilares dessa transformação e como o sr. avalia os resultados alcançados ao longo da gestão?

Ser o estado mais seguro do Brasil requer planejamento, pulso firme e tolerância zero com o crime. Sem segurança pública, não há governabilidade. Então, a primeira tese que defendi quando assumi foi: ‘ou bandido muda de profissão, ou muda de Goiás’. A partir disso, estruturamos a segurança em três pilares: preparo do efetivo, integração das forças policiais e controle rigoroso do sistema prisional. Nossos policiais passaram por reestruturação de carreira, treinamentos, ganharam novas viaturas e armamentos, passaram a trabalhar com integração e compartilhamento de informações. Também fizemos um verdadeiro pente-fino nos presídios, acabando com privilégios e impedindo a comunicação do crime organizado de dentro das unidades. E ouso dizer que não há um palmo de terra nesse estado comandado por facção criminosa. Com todas essas ações, os resultados são claros: chegamos ao sétimo ano consecutivo de queda nos principais indicadores de criminalidade. Não são só estatísticas, mas reflexo direto na vida do cidadão. 

O primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) representa um marco. Quais políticas permitiram esse avanço e como garantir a continuidade desse desempenho nos próximos anos?

Modéstia à parte, Goiás tem um governo que prioriza a qualidade do ensino e entende que educação se faz de maneira transversal. O primeiro lugar no Ideb veio para coroar todo esse esforço. De 2019 pra cá, aplicamos cerca de R$ 10 bilhões na educação. O investimento envolve ensino público de excelência, valorização do quadro docente, ações de combate à evasão e escolas equipadas com tecnologia e inovação. Garantimos recursos para o transporte e para a merenda, qualificação de professores e programas como o Bolsa Estudo, que combatem a evasão escolar [com repasse mensal entre R$ 130 a R$ 150 a mais de 300 mil alunos]. Ampliamos muito o ensino integral e, além disso, hoje, 100% das escolas estaduais estão reformadas e também ganhamos selo ouro em alfabetização infantil com AlfaMais Goiás. Construímos uma política pública de ensino muito bem consolidada e que vai garantir resultados cada vez mais expressivos para Goiás. 

Na saúde, Goiás também alcançou destaque nacional com a regionalização da rede de atendimento. De que forma essa estratégia contribuiu para ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços prestados à população?

Sou médico e todos sabem que meu princípio fundamental é cuidar de vidas. É inadmissível imaginar que Goiás tivesse leitos de UTI somente em Goiânia, Aparecida e Anápolis. Até pouco tempo, pacientes viajavam mais de 600 quilômetros para fazer hemodiálise. Por isso, regionalizamos a saúde, para garantir atendimento médico público de qualidade em todos os cantos deste Estado. Entregamos seis policlínicas, construímos sete hospitais e multiplicamos o número de vagas via SUS. Para se ter uma ideia, as UTIs saltaram de 267 leitos para 790 em 20 municípios. Outro grande legado é o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora). Construído num tempo recorde, com o que há de mais moderno em estrutura, tecnologia e medicina para atender crianças e adolescentes com câncer. Hoje, temos um dos mais modernos hospitais para tratamento oncológico do país. Nós construímos uma rede de saúde que verdadeiramente olha para o cidadão e assegura melhor qualidade de vida aos goianos. 

  1. A infraestrutura tem apresentado avanços expressivos. Quais investimentos o sr. considera mais estratégicos para consolidar o desenvolvimento regional equilibrado em Goiás?

Por anos, enfrentamos grandes desafios no setor de infraestrutura. Quando assumi o Estado, a então Agetop (hoje Goinfra) só aparecia em páginas policiais por causa dos escândalos de corrupção. Primeiro, saneamos a empresa a partir de uma auditoria rigorosa, seguido de um raio x de Goiás naquele momento: mais de 50 obras paralisadas, contratos de manutenção sem saldos. Zeramos todas essas demandas e entregamos cada uma das obras. Resgatamos a credibilidade da Agência e temos obras em execução por todo território goiano. Somente para 2026, devemos investir R$ 3,5 bilhões. E o principal: obras com datas para início e conclusão sendo respeitadas, num padrão de qualidade nunca antes visto nesse Estado. Pavimentamos e duplicamos rodovias estratégicas para o escoamento de produção, garantindo desenvolvimento regional e atraindo novos investidores. A execução de serviços contemplou, ainda, a rota turística, que todos os anos atrai visitantes de todos os lugares a Goiás. 

“Chegamos ao sétimo ano consecutivo de queda nos principais indicadores de criminalidade. Não são só estatísticas, mas reflexo direto na vida do cidadão”

“Goiás prioriza a qualidade do ensino público e entende que educação se faz de maneira transversal. O 1º lugar no Ideb veio para coroar esse esforço”

“Temos obras em execução por todo território goiano. Somente para 2026, devemos investir R$ 3,5 bilhões. E o principal: obras num padrão de qualidade nunca antes visto em Goiás”

“Falo sempre do potencial de Goiás. Acreditem, não tem nada igual”

Goiás aparece hoje entre as economias que mais crescem no país, com expansão da geração de empregos e renda. Quais fatores explicam esse desempenho e quais setores devem liderar o crescimento nos próximos anos?

A minha paixão como governador foi trabalhar para criar uma outra mentalidade de governar com respeito ao dinheiro público, honestidade, combate duro à corrupção, além de investimento pesado em educação, saúde, segurança e programas sociais, proporcionando um ambiente atrativo para o empresariado, que é quem gera emprego e renda para valer. Antes de 2019, Goiás não conseguia atrair novos investimentos industriais em razão da instabilidade fiscal e da redução da competitividade frente a outros estados. Com políticas de incentivo, controle das contas públicas e articulação internacional para captação de recursos, implantamos fábricas, modernizamos plantas industriais e expandimos a capacidade produtiva em diversos setores. Atraímos bilhões em investimentos. Goiás, inclusive, alcançou a primeira colocação entre os estados brasileiros no Índice de Atividade Econômica (IBCR), divulgado pelo Banco Central. Vencemos as dificuldades iniciais e, acumulamos avanços na produção, geração de emprego e investimentos públicos, mostrando a nossa competitividade. Goiás hoje mira no futuro. Nosso território concentra cerca de 25% da disponibilidade mundial de terras raras e já reúne projetos estratégicos em andamento no setor para aproveitamento de minerais críticos, com foco em pesquisa e transferência de tecnologia. Temos também investimentos em biometano, bioenergia, etanol e tecnologias de descarbonização. Além disso, investimos mais de R$ 720 milhões só em IA e desenvolvimento em tecnologia. Eu falo sempre do potencial do estado. Acreditem, não tem nada igual. 

O fortalecimento da cultura recebeu investimentos inéditos durante sua gestão. Como o sr. avalia o papel das artes na construção da identidade goiana e no desenvolvimento econômico e social do estado?

O papel de um governante é o de respeitar, preservar e manter a nossa história. Antes do nosso governo, sequer havia Secretaria da Cultura. Recuperamos nossas festas tradicionais, as igrejas históricas, prédios históricos, criamos o Claque Cultural, injetando recursos na nossa economia. Com a cultura, atingimos todas as áreas. Ela não foi, não é e não deve ser acessório do governo, mas, sim, prioridade.

A volta do MotoGP e a concessão do Serra Dourada colocaram Goiás no circuito internacional do esporte. Qual o impacto estratégico dessas iniciativas para a projeção do estado?

Nós transformamos o Autódromo no mais moderno da América Latina, entre os melhores do mundo. Durante a MotoGP, Goiás foi visto por 200 países, elogiado pelos pilotos, por toda a direção e pelos turistas. Isso é algo que nos dá a capacidade de receber maiores investimentos, fazer maiores parcerias e avançarmos ainda mais. O Serra Dourada, o meu vice-governador, Daniel Vilela, tratou da concessão desde a primeira hora no governo. Fato é que ninguém tem essa área e localização privilegiada como o Serra Dourada. O estádio será a mais bela arena de esportes deste país. 

O Goiás Social, coordenado pela primeira-dama Gracinha Caiado, tornou-se referência nacional em políticas públicas de inclusão. Qual o alcance dessas ações na redução das desigualdades sociais em Goiás?

Nós adotamos a seguinte filosofia: não comemoramos cartões, mas sim pessoas emancipadas. Investimos muito na área social sim, mas não como cabresto para o cidadão, mas seguindo aquela máxima de que não damos o peixe, mas sim ensinamos a pescar. E, dessa forma, chegamos a uma condição em que Goiás alcançou a menor taxa de pobreza e extrema pobreza de sua história. E isso não sou eu quem está falando. São dados do Instituto Mauro Borges (IMB). E nesta hora, preciso destacar o trabalho da primeira-dama Gracinha, que trabalhou diuturnamente à frente do Goiás Social, para levar os programas sociais aos 246 municípios. Programas como o Mães de Goiás, Aluguel e Crédito Social, e tantos outros se tornaram referência nacional. Não por acaso representantes de outros estados querem vir pra cá, conhecer nossas ações e aplicar em suas regiões. Ou seja, promovemos a real transformação na vida das pessoas e ainda fizemos escola.

Governador, Goiás tem ampliado investimentos em tecnologia, inovação e transformação digital na gestão pública. De que forma essas iniciativas contribuem para consolidar o estado como referência nacional?

Um estado que pretende ser referência, tem de investir em tecnologia. Não há outro caminho. Já basta o Brasil, que ficou para trás nessa história. Nós sequer temos, em nível nacional, uma legislação que permita ao país avançar nesta área. Estamos ‘anos-luz’ atrás de países como a Índia e a China. Eu sou um homem que, pela minha formação acadêmica, acredito na ciência e na pesquisa. Temos que preparar nossos jovens para dominar esses assuntos e Goiás saiu na frente nisso. Temos um forte hub de tecnologia e inovação, fomos pioneiros com o curso de Inteligência Artificial na Universidade Federal de Goiás e contamos com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da UFG, referência na América Latina, com incentivo substancial do governo. Também avançamos na agricultura exponencial, com uso de IA, garantindo alta produtividade por hectare com base em tecnologia e pesquisa. Para vocês terem uma ideia, já aprovei o marco regulatório da inteligência artificial. É algo que já existe no estado. Um investimento que não colhe o fruto de imediato, mas daqui a 10 anos vocês vão ver o que vai ser Goiás no cenário nacional. 

O sr. tem destacado a importância de interiorizar políticas públicas e fortalecer os municípios. Como essa estratégia municipalista contribuiu para reduzir desigualdades regionais?

Quando fui eleito para meu primeiro mandato, eu tinha o apoio só de 14 prefeitos. Isso em 2018. Veja bem: 14 prefeitos. No último dia 14, estive em um grande ato político, em Jaraguá, para lançamento das nossas pré-candidaturas da base e da pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela ao governo. Sabe quantos prefeitos compareceram? 209 prefeitos. Essa manifestação não é à toa. É o reconhecimento a uma nova forma de fazer política. O meu governo foi de parceria total com os prefeitos e prefeitas. Meu gabinete esteve sempre aberto para ouvir e atender ao máximo as demandas. Também buscamos levar projetos e investimentos que considerassem a vocação de cada município. Eu nunca atrasei um repasse aos municípios um dia sequer. Nunca neguei nenhum pedido em função de partido. Política se faz em palanque. Quando passa a campanha, a gente tem de dar as mãos e trabalhar, juntos, para melhorar a vida das pessoas. Esse é o trabalho de um governador. Não fazer da gestão um balcão de negócios. E não pode haver dois estados distintos. O cidadão que mora no interior não é um cidadão de segunda classe. Ele precisa ter as mesmas condições de dar à sua família uma vida digna, para não precisar deixar sua cidade natal em busca de oportunidades. Foi com essa mentalidade que priorizamos ações de regionalização dos serviços públicos.

“Goiás hoje mira no futuro. Nosso território concentra cerca de 25% da disponibilidade mundial de terras raras e já reúne projetos estratégicos em andamento” 

“Quando passa a campanha, temos de dar as mãos e trabalhar para melhorar a vida das pessoas. Esse é o trabalho de um governador, não fazer da gestão um balcão de negócios”

“O Brasil precisa de alguém que tenha autoridade moral; o que eu falo é o que eu faço”

O modelo de gestão implantado em Goiás alcançou projeção nacional. Como conseguiu equilibrar as finanças e gerar receitas para investimentos em face da herança recebida?

A única “herança” que recebi em 2019 daquilo que chamavam de governo foi uma dívida bilionária. Tinha R$ 11 milhões na conta para dar conta de tudo, até mesmo das folhas de pagamento dos servidores públicos atrasadas, e eu resolvi isso aí. Eu pedia pessoalmente aos comerciantes que confiassem em mim, que vendessem aos servidores naquele primeiro momento. A soma não fechava. Chegamos no primeiro dia de governo com o Estado completamente sucateado, situação de calamidade nos serviços públicos. Goiás estava bloqueado no Tesouro e não podia sequer pegar empréstimo. Como governar? Onde estava o dinheiro dos goianos? A única ferramenta que eu tinha era o diálogo com todos os Poderes para achar uma solução rápida. Isso que eu fiz, dialoguei e eles me deram governabilidade. Sempre digo, sou médico, e no início eu precisei investigar onde estava a principal dor do povo goiano. 

A pré-candidatura do sr. à presidência da República surge em um momento de forte projeção nacional da gestão em Goiás. Quais valores e diretrizes dessa experiência o sr. pretende levar para o debate nacional?

Tenho todas as credenciais para me colocar como candidato a presidente da República. Em 40 anos de vida pública, nunca me viram envolvido em corrupção. Hoje, sou o governador mais bem avaliado do país. O Brasil precisa de alguém que tenha autoridade moral, e o que eu falo é exatamente o que eu faço. Quando eu cheguei ao governo, eu disse que ia devolver Goiás aos goianos. O estado estava nas mãos da corrupção e do crime. As pessoas não tinham segurança, as escolas estavam destruídas e existia o turno da fome, a saúde não possuia leitos de UTI. Hoje, somos referência. Acredito que a política não se faz com discurso, mas sim na prática. Enquanto o que mais cresceu no país foi a criminalidade, aqui o que mais cresceu foi educação, segurança, renda per capita. Essa é a diferença. Precisamos mostrar que nosso governo deve ser copiado.

Na sua avaliação, é possível reproduzir em escala nacional o padrão de eficiência administrativa alcançado em Goiás nas áreas de segurança, educação, saúde e desenvolvimento econômico?

O gestor é o responsável por um governo. Já viu que com o governo do PT a desordem está instalada. Você não vê os Poderes se respeitando. Em Goiás não existe isso. Cada um sabe de sua função e governamos de forma conjunta com o objetivo de levar benefícios à população. Na hora que mostramos para o Brasil o que foi feito e o que se faz em Goiás, que se governa com o exemplo de vida, sem o envolvimento com bandalheira e combate à corrupção, as pessoas vão começar a analisar os resultados. O governo Lula tomou uma linha de apoio e complacência com a criminalidade. O crime e o narcotráfico cresceram na gestão dele. Em Goiás, bandido cumpre pena, penitenciária tem regras rígidas, sem visita íntima, aqui audiência com advogado é gravada. O Brasil precisa de um presidente com independência moral, sem amarras. Vocês vão ver, é só me colocar lá [na presidência] que vou devolver o Brasil para os brasileiros que não aguentam mais pagar a conta por falta de um líder com pulso firme. Deu certo em Goiás e vai dar certo no Brasil. 

“A única herança que recebi em 2019 daquilo que chamavam de governo foi uma dívida bilionária. Tinha R$ 11 milhões na conta para dar conta de tudo, até da folha dos servidores”

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