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Esquema que vendia vagas no SUS por até R$ 5 mil é alvo de operação em Goiás

Fraudes priorizavam cirurgias plásticas e exames; pacientes pagavam para furar filas em Goiânia e interior

Operação investiga esquema que cobrava até R$ 5 mil para antecipar cirurgias e exames pelo SUS em Goiás.

Um esquema criminoso que vendia vagas para furar filas do Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás foi alvo de uma operação policial nesta terça-feira (7). As investigações apontam que pacientes chegaram a pagar entre R$ 1,2 mil e R$ 5 mil para antecipar cirurgias plásticas e exames de alto custo, prejudicando quem aguardava atendimento regular.

As apurações indicam que o grupo atuava principalmente na manipulação da fila de espera para cirurgias plásticas eletivas e procedimentos considerados não urgentes. Em alguns casos, pessoas beneficiadas sequer atendiam aos critérios exigidos pelo sistema público de saúde.

De acordo com as investigações, os suspeitos alteravam a ordem da fila, substituindo pacientes que aguardavam atendimento por outros que pagavam pelo benefício. O valor cobrado variava conforme a posição desejada, o que impactava diretamente quem já estava próximo de ser chamado.

A ação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2023, quando operadores do esquema já haviam sido identificados e presos, além do afastamento de servidores suspeitos de envolvimento.

Nesta nova fase, foram cumpridos seis mandados de prisão temporária, além de 17 mandados de busca e apreensão em municípios como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e outras cidades do interior. Também foram determinadas medidas como afastamento de servidores e quebras de sigilos bancário e fiscal.

Os investigados podem responder por crimes como falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informação, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), as irregularidades foram identificadas a partir de monitoramento interno do sistema de regulação. A pasta informou que colaborou com as investigações e afirmou que não há indícios de envolvimento de servidores da regulação estadual.

As investigações também devem apurar a conduta dos pacientes beneficiados. Conforme a polícia, há casos de pessoas que sabiam da fraude, enquanto outras podem não ter conhecimento da irregularidade.

Atualmente, a fila de espera da regulação em Goiás conta com mais de 145 mil pessoas aguardando consultas e cerca de 23 mil esperando por cirurgias, com tempo médio que pode ultrapassar três meses, dependendo da especialidade.

Nota completa da SES-GO:

“A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informa que a identificação das irregularidades ocorreu a partir do trabalho de inteligência da própria Pasta, com base no monitoramento contínuo do sistema de regulação.

A SES-GO destaca que contribuiu de forma ativa com as investigações, repassando às autoridades competentes todas as informações necessárias para o avanço das apurações.

A Secretaria esclarece que não há envolvimento de servidores da regulação estadual nas investigações.

A Pasta destaca ainda que não compactua com práticas ilegais e informa que a atual ação é um desdobramento da Operação Hipócrates, deflagrada em 2023, quando a SES também cooperou com a Polícia Civil.

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