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Vereadores elogiam fim da influência política na Comurg

Acordo assinado reorganiza os serviços de zeladoria urbana e estabelece novas regras para a execução das atividades

Vereadores que acompanharam a assinatura do novo contrato entre a Prefeitura de Goiânia e a Comurg, nesta terça-feira (14), afirmaram que a Companhia começa a se afastar de um histórico ciclo de interferência política. Segundo eles, práticas associadas a esse modelo atrapalhavam o funcionamento da empresa. O acordo assinado reorganiza os serviços de zeladoria urbana e estabelece novas regras para a execução das atividades.

O líder do prefeito na Câmara, Wellington Bessa, destacou a mudança de modelo da gestão, e fez críticas diretas ao histórico da companhia. “Agora nós estamos vendo o que é gestão efetivamente. Um problema que até então era insanável, o senhor mostrou que é possível resolver. E salvar essa companhia é salvar empregos”, afirmou.

O vereador Heyler Leão também enfatizou a influência política na Comurg. “Sempre foi muito politizada. Em determinado momento, é preciso fazer gestão para segurar um trabalho eficaz”, afirmou.

Na mesma linha, o vereador Pedro Azulão Júnior fez referência à pressão política dentro da Companhia. “Antes, aqui eles tinham que apoiar um candidato. E, se não apoiasse, era sacrificado, persegudo. Isso acabou”, afirmou. “Agora esse pessoal não vira refém de ninguém mais”, completou, ao tratar o novo momento como uma ruptura com práticas abusivas.

O vereador Juarez Lopes também relatou episódios de interferência política na rotina administrativa da Comurg. “Pressionavam para apoiar determinado candidato, e isso realmente acabou. Eu espero que acabe para sempre”, disse. Em tom mais direto, sintetizou a avaliação: “Essa Comurg aqui era terra devastada”.

Outros parlamentares ampliaram o debate ao associar a crise da companhia a um histórico de irregularidades e falhas de controle interno, defendendo que a reestruturação avance com mecanismos mais rígidos de gestão e menor espaço para influência política.

O vereador Bruno Diniz falou sobre a distinção entre os servidores. “Eu me insurjo com quem tinha supersalários, com quem tinha mordomias ou praticava corrupção. Eu levanto a minha voz para defender quem trabalha debaixo de sol e chuva”, disse.

O discurso de combate à corrupção também apareceu na fala do vereador Sargento Novandir, que atribuiu à nova gestão a “coragem de enfrentar o que tinha de errado” na companhia. Ele ainda criticou gestões anteriores, citando problemas como sucateamento de equipamentos e ausência de manutenção adequada.

A vereadora Rose Cruvinel também citou a existência de privilégios dentro da companhia e alfinetou: “A gente sabia que vocês eram os que trabalhavam e tinham aqueles que recebiam por vocês”, ao defender a reformulação da estrutura.

O vereador Doutor Gustavo também se posicionou no debate, destacando a necessidade de valorização dos servidores dentro de um novo modelo de gestão. “É importante esse olhar voltado a todos os servidores. Essa questão de trabalhar mais próximo é uma das principais demandas”, afirmou.

Polêmica
Citando a polêmica sobre os caminhões sucateados e penhorados da Comurg, o vereador Sargento Novandir criticou o uso político do caso. Sem citar diretamente os nomes dos vereadores Igor Franco (MDB) e do deputado estadual Clécio Alves (PSDB) , ele afirmou que a situação dos veículos não é recente e acusou adversários de usarem o episódio de forma oportunista. “Isso me deixa revoltado, ver pessoas praticarem politicagem. Esses caminhões não pararam agora. Pararam na gestão passada. Agora aparecem para criticar”, disse.

Nova Comurg
Avaliado em até R$ 7,5 bilhões ao longo de cinco anos, o novo contrato inclui limpeza urbana, paisagismo e a operação do Aterro Sanitário pela própria Comurg. Na prática, a medida é apresentada como uma tentativa de reverter distorções estruturais, estabelecer previsibilidade orçamentária e reduzir margens para ingerência política na execução dos serviços.

Durante o evento, o prefeito Sandro Mabel afirmou que a reorganização financeira foi o primeiro passo para viabilizar a reestruturação administrativa. Segundo ele, a dívida da Comurg foi reduzida em quase R$ 3 bilhões, o que abre espaço para novos investimentos e ampliação dos serviços.

Mabel também associou o desequilíbrio anterior a falhas de gestão combinadas com irregularidades. “A principal irregularidade aqui era a corrupção. Você tinha má gestão somada à corrupção, o que gerava desperdício de centenas de milhões de reais”, afirmou.

Secom Goiânia

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