
Eduardo Marques
A campanha de 2026 entrou na fase das provas. Não sobram só discursos. Sobram inquéritos. De um lado, Lula. De outro, Flávio Bolsonaro. No meio, duas investigações que já mexem nas pesquisas.
O caso Dark Horse
Lula mira o adversário onde ele mais sangra. O plano petista é responder atacando Flávio Bolsonaro (PL) e tentar trazer o caso “Dark Horse” de volta ao centro do debate público. A lógica é simples: o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atinge Flávio diretamente, não um aliado.
Flávio nega novos capítulos. O senador afirma que não há mais nada relevante a ser revelado sobre o caso. Mas o desgaste já aconteceu. Analistas apontam que, com a operação contra ele em maio, o candidato caiu nas sondagens.
Lulinha e Marcola
Do outro lado, a artilharia mira o núcleo familiar do presidente. Os inquéritos contra Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, investigam suposto tráfico de influência e ligações com as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso rendeu baixa também a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O ex-assessor deixou o cargo depois de admitir ter recebido um empréstimo de R$ 249 mil de uma empresária amiga de Lulinha.
O vice de Flávio reforça esse lado. Alfredo Gaspar se notabilizou pelas acusações ao filho do presidente na CPI do INSS.
A estratégia do silêncio calculado
Curiosamente, o PT não quer debater o próprio escândalo. Lula e seu partido não devem focar em explicar os casos de Lulinha e Marcola. Prefere atacar. Cada acusação contra Flávio vira resposta indireta às acusações contra o filho.
Justificativa oficial: são pessoas próximas, não o candidato. Segundo analistas científicos, tanto no caso Lulinha quanto no caso Marcola, apesar da proximidade óbvia com o presidente, não se trata do próprio candidato, mas de pessoas ligadas a ele.
Pesquisas em vaivém
Os números confirmam o efeito gangorra. Desde dezembro, quando Flávio foi anunciado, ele subiu e chegou a ultrapassar Lula por volta de março e abril. Depois veio a virada. Com o caso Dark Horse e a operação contra Flávio, em maio, Flávio caiu e Lula subiu.
O movimento se inverteu de novo. Com a abertura formal de inquéritos contra Lulinha no STF, ao fim de julho, somada às suspeitas contra Marcola, Flávio voltou a subir e Lula voltou a cair. Resultado: retorno a um empate técnico entre os candidatos.
O pano de fundo
A realidade é que nenhum dos dois chega limpo. Lula já passou mais de um ano e meio preso por envolvimento na Lava Jato, embora sua condenação tenha sido anulada por parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro. Flávio, por sua vez, foi acusado de desvio de parte dos salários de assessores quando era deputado estadual no Rio.
A eleição de outubro promete menos propostas. Promete mais dossiês.



