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Wilder Morais fica de fora no mapa de apoios de Nikolas Ferreira em Goiás

Enquanto elogia nomes de outros estados sem titubear, o deputado escolhe o silêncio quando o assunto é o comando do Executivo goiano

Eduardo Marques

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) citou nomes para o Senado, para a Câmara e até para a Presidência quando o assunto foi Goiás em uma enquete que fez nos stories do Instagram, mas não soltou uma palavra sobre o governo do estado. Nenhuma menção a Wilder Morais (PL), justamente o nome que hoje preside o PL goiano e disputa uma vaga ao Palácio das Esmeraldas.

A publicação fazia parte de uma sequência em que o deputado respondia, estado por estado, em quem os seguidores deveriam votar. “Vocês pediram e a partir dessa semana vou começar a fazer, beleza? Coloca aqui o seu estado e vou colocar quais são os candidatos que nos representam, que me representam, pessoas que eu confio”, disse Nikolas ao abrir a caixa de perguntas. E emendou, “para todos os cargos”.

No caso goiano, ele mencionou Gustavo Gayer (PL) e Oséias Varão (PL) para o Senado, Sanches da Federal (Progressistas) para a Câmara e Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência. O governo do estado ficou de fora.

O silêncio ganha peso quando comparado ao resto da enquete. Para Minas Gerais o deputado indicou Flavio Roscoe ao governo, no Rio Grande do Sul citou Zucco e no Rio de Janeiro destacou Douglas Ruas. Nomes soltos, sem cerimônia, do jeito que Nikolas costuma falar quando tem certeza do que quer dizer.

Pode parecer só um esquecimento, dos muitos que acontecem quando alguém responde dezenas de perguntas em sequência. Só que política raramente funciona assim. Ninguém esquece do candidato ao Executivo que o próprio partido lança no estado, ainda mais quando o resto da lista sai tão fluente. Por isso a ausência foi lida, por gente que acompanha os bastidores, como sinal de que Wilder não teria o apoio pleno da ala bolsonarista mais dura dentro do PL.

Essa leitura não nasce do nada. Já em abril, um encontro batizado de Acorda Goiás, puxado por Gayer e com a presença de Nikolas, tinha deixado a mesma sensação no ar. O evento reuniu bolsonaristas em Goiânia, mas Wilder simplesmente não apareceu, e a organização preferiu explicar a ausência dizendo que o ato era suprapartidário e por isso nenhum pré-candidato ao governo tinha sido convidado. Explicação que convenceu pouca gente, já que desde fevereiro daquele ano o PL goiano já convivia com um clima tenso entre Gayer e Wilder.

Essa movimentação também escancara algo maior do que uma disputa local. Em Goiás, o presidenciável Flávio Bolsonaro tem feito campanha para o major Vitor Hugo (PL), enquanto Nikolas trabalha abertamente a favor de Sanches da Federal, um nome do PP e não do partido do próprio Flávio. O deputado mineiro já vem construindo uma rede de apoios com estilo próprio, que nem sempre caminha lado a lado com os interesses da família Bolsonaro.

Resta saber se esse afastamento em relação a Wilder é só um recado silencioso ou o prenúncio de algo mais explícito nas próximas semanas de campanha. Em política, o que não se diz costuma pesar tanto quanto aquilo que se diz em voz alta.

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