Política

Eleições 2026: 33 milhões de ausentes podem mudar disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Com diferença de 2,2 milhões de votos no primeiro turno, candidatos chegam à última semana de campanha diante de pesquisas apertadas e rejeição superior a 50%

A eleição presidencial de 2026 chega à última semana com um dado que ajuda a dimensionar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL): mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno, número quase 15 vezes superior à diferença de votos entre os dois candidatos. Com o segundo turno marcado para domingo (25), a capacidade de mobilizar eleitores, conquistar votos de outras candidaturas e reduzir a rejeição será parte central das campanhas. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram um cenário de disputa apertada, sem definição antecipada do resultado.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, contra 45,16% de Lula. A diferença ficou próxima de 2,2 milhões de votos. Os demais candidatos somaram 7,81% dos votos válidos, parcela que também passou a integrar as estratégias eleitorais das duas campanhas.

O dado mais expressivo, entretanto, foi a abstenção de 21,08%, equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores. O percentual superou os 20,95% registrados no primeiro turno de 2022 e foi o maior desde 1998, quando a ausência chegou a 21,5%. A comparação demonstra que o desafio das campanhas vai além de convencer os eleitores indecisos: envolve também estimular o comparecimento de quem não participou da primeira votação.

Pesquisas mostram empate técnico e rejeição elevada

Abstenção eleitoral: Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 (Arte: Reprodução/IA)
Abstenção eleitoral: Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 (Arte: Reprodução/IA)

Os levantamentos divulgados após o primeiro turno mostram diferenças dentro das margens de erro. A pesquisa Quaest, publicada em 14 de outubro, apontou 46% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula. O levantamento ouviu 2.154 eleitores e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais.

Na sexta-feira (16), o PoderData divulgou um cenário de empate, com 50% dos votos válidos para cada candidato. A pesquisa ouviu 3 mil pessoas entre 13 e 15 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual. Os resultados indicam uma disputa competitiva, mas não permitem concluir qual candidatura terá maior votação no domingo.

Outro fator que influencia o segundo turno é a rejeição. Na Quaest, 54% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% disseram o mesmo sobre Lula. Os percentuais demonstram que ambas as campanhas precisam ampliar o apoio sem aumentar a resistência de eleitores que já manifestaram rejeição aos candidatos.

A combinação entre rejeição elevada, abstenção e diferença reduzida no primeiro turno ajuda a explicar a importância da mobilização eleitoral. No entanto, os 33 milhões de ausentes não formam um bloco político uniforme. Entre eles estão eleitores com diferentes preferências, condições de deslocamento e níveis de interesse na eleição.

Goiás entra na reta final com governo estadual definido

Goiás nas eleições: Com governo estadual definido, Goiás participa da decisão presidencial de 25 de outubro (Arte: Reprodução/IA)
Goiás nas eleições: Com governo estadual definido, Goiás participa da decisão presidencial de 25 de outubro (Arte: Reprodução/IA)

Em Goiás, a disputa presidencial ocorre após a definição do governo estadual no primeiro turno, com a eleição de Daniel Vilela (MDB). O resultado reorganizou o cenário político local, mas não significa transferência automática de votos para qualquer candidato à Presidência.

Essa distinção é fundamental para compreender o comportamento do eleitorado goiano. O cidadão pode apoiar um candidato ao governo estadual e escolher outro campo político na eleição presidencial. Além disso, lideranças municipais, deputados eleitos e partidos precisam considerar diferenças entre as demandas locais e as pautas nacionais.

Para Aparecida de Goiânia, a eleição também terá consequências administrativas. O próximo governo federal participará das decisões sobre financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), programas habitacionais, educação, infraestrutura e transferências de recursos aos municípios. A capacidade de articulação entre Brasília, o governo de Goiás e as prefeituras influenciará a execução dessas políticas a partir de 2027.

Comunicação digital, debates e economia entram na disputa

Economia e eleições: Inflação, juros e custo de vida integram o debate econômico na reta final das eleições presidenciais (Arte: Reprodução/IA)
Economia e eleições: Inflação, juros e custo de vida integram o debate econômico na reta final das eleições presidenciais (Arte: Reprodução/IA)

A reta final também coloca a comunicação política no centro da campanha. Entre 4 e 15 de outubro, o Índice de Popularidade Digital da Quaest registrou avanço de Lula de 70,7 para 82,6 pontos, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 80 para 76,4 pontos. O indicador considera elementos de presença e repercussão nas plataformas digitais, mas não mede intenção de voto.

A importância das redes sociais, portanto, deve ser analisada em conjunto com a capacidade de mobilização presencial, a estrutura partidária e o desempenho das campanhas nos debates. O confronto entre os candidatos na televisão oferece oportunidade para comparação das propostas sobre economia, segurança pública, programas sociais e administração federal.

A divulgação de novos indicadores econômicos também integra a agenda da última semana. Inflação, juros, custo de vida e expectativas para as contas públicas são temas que atingem diretamente o cotidiano dos eleitores, especialmente aqueles que dependem de serviços públicos e comprometem parte significativa da renda com despesas essenciais.

A eleição de domingo será definida pelos votos efetivamente registrados, e não apenas pelas tendências identificadas nas pesquisas. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos no primeiro turno, os mais de 33 milhões de ausentes e a rejeição elevada demonstram a dimensão do desafio enfrentado pelas duas candidaturas.

Independentemente do resultado, o presidente eleito terá de negociar com um Congresso de composição partidária diversa, administrar as expectativas econômicas e construir relações institucionais com governadores e prefeitos. Para Goiás e Aparecida de Goiânia, essa articulação será determinante para transformar propostas eleitorais em políticas públicas nos próximos quatro anos.

Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

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