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TRE-GO mantém apuração contra Gayer e manda preservar documentos de campanha

Justiça considerou tardio pedido de fiscalização de propaganda, mas determinou conservação de contratos, notas fiscais e comprovantes por um ano

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) determinou que o senador eleito Gustavo Gayer (PL), sua campanha e fornecedores preservem documentos relacionados à produção e distribuição de materiais eleitorais. A medida integra uma ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e pela coligação Goiás Pode Mais, que solicitam a investigação de possível abuso de poder econômico nas eleições de 2026.

A decisão foi assinada pelo desembargador José Paganucci Jr. em 5 de outubro. Embora tenha considerado prejudicados os pedidos urgentes de fiscalização e retirada de propaganda, o magistrado manteve a determinação de conservação dos registros financeiros e administrativos relacionados aos materiais questionados.

O processo foi apresentado às 19h50 de 4 de outubro, dia do primeiro turno. Como a votação havia terminado às 17h, o tribunal considerou que algumas medidas solicitadas já não teriam utilidade prática.

Entre elas estavam a realização de inspeções, a retirada de materiais de propaganda e a coleta de amostras físicas.

A decisão, entretanto, não significa o encerramento da investigação nem representa absolvição ou reconhecimento de irregularidades por parte do parlamentar.

PT questiona origem e gastos de propaganda eleitoral

A ação apresentada à Justiça Eleitoral reúne fotografias e vídeos de bandeiras, placas e estruturas de propaganda conhecidas como wind banners, que teriam sido utilizadas em espaços públicos de Goiânia no dia da votação.

Segundo os autores, parte desses materiais estaria instalada sem a presença de pessoas responsáveis por sua movimentação, situação que motivou questionamentos sobre as condições de exposição e o financiamento da propaganda.

A federação e a coligação solicitam esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados, a contabilização das despesas e a eventual participação de terceiros no custeio.

Um dos pontos mencionados no processo envolve R$ 48.807 em gastos declarados com a Gráfica Monte Cristo Ltda.

Os registros incluem materiais impressos utilizados na campanha, como santinhos e adesivos. Os autores pretendem verificar se as despesas informadas correspondem aos materiais identificados nas imagens apresentadas à Justiça.

A existência dos pagamentos declarados, por si só, não representa irregularidade eleitoral.

Justiça determina preservação de documentos por um ano

Apesar de não acolher as medidas de fiscalização imediata, o TRE-GO determinou que os envolvidos preservem documentação relacionada aos materiais durante um ano.

A ordem alcança Gustavo Gayer, sua campanha, o comitê financeiro, o Partido Liberal e a Gráfica Monte Cristo.

Entre os documentos estão contratos, orçamentos, notas fiscais, arquivos eletrônicos, comprovantes de pagamento, registros de entrega, ordens de produção e informações sobre transporte e distribuição dos materiais.

A determinação também poderá atingir outros fornecedores que venham a ser identificados no decorrer da apuração.

O objetivo é permitir que a Justiça Eleitoral examine a correspondência entre os gastos declarados e os materiais de campanha questionados pelos autores da ação.

Investigação não representa condenação

A decisão diferencia duas questões: a perda de utilidade das medidas urgentes solicitadas depois da votação e a necessidade de preservar elementos que possam contribuir para a apuração.

A investigação judicial eleitoral permite examinar possíveis situações de abuso de poder econômico durante campanhas. A eventual responsabilização depende da análise das provas, do contraditório e das decisões posteriores da Justiça.

Até o momento, a decisão relatada não estabelece que Gayer tenha cometido abuso de poder econômico ou utilizado recursos irregulares.

De acordo com o Jornal Opção, que divulgou o caso nesta segunda-feira (19), a assessoria do senador eleito foi procurada, mas não respondeu até a publicação da reportagem.

O caso permanece sujeito à análise judicial, e os documentos preservados poderão ser utilizados para esclarecer as suspeitas apresentadas na ação.

Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

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