
Felipe Gabriel Jardim Gonçalves, de 29 anos, foi condenado a 17 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pelo homicídio qualificado do ex-sogro, João Rosário Leão, policial civil aposentado, morto a tiros dentro de uma farmácia no Setor Bueno, em Goiânia. O julgamento ocorreu ao longo desta segunda-feira (19) e terminou na madrugada desta terça-feira (20), após mais de 15 horas de sessão no Tribunal do Júri.
Durante a audiência, acusação e defesa apresentaram versões opostas sobre o estado mental do réu no momento do crime. A defesa sustentou a tese de que Felipe Gabriel estaria em surto, com base em laudos psicológicos e psiquiátricos que indicariam perturbações severas em seu discernimento e capacidade de autodeterminação. Também foi defendida a semi-imputabilidade, citando histórico familiar de transtornos de humor e esquizofrenia.
A acusação, por sua vez, afirmou que não há registros de surto ou doença mental que justificassem a conduta do réu. Segundo o Ministério Público, o crime foi premeditado e ocorreu poucas horas depois de a vítima registrar uma ocorrência de violência doméstica contra o genro, em favor da filha.
Felipe Gabriel foi ouvido durante o julgamento e respondeu apenas às perguntas da defesa e dos jurados. Ele relatou o relacionamento abusivo e descreveu o dia do crime, que foi registrado por câmeras de segurança. O juiz não autorizou a captação de imagens no plenário.
No tribunal estavam presentes o juiz Antônio Fernandes, o promotor de Justiça, quatro advogados de acusação e três advogados de defesa. O réu permaneceu sentado atrás da defesa, de cabeça baixa, escoltado por dois policiais.
Um dos momentos mais tensos da sessão ocorreu durante o depoimento de uma psicóloga indicada pela acusação. A profissional afirmou que, apesar de apresentar traços de impulsividade, o réu tinha plena capacidade de compreender e avaliar seus atos, agindo de forma consciente e com alvo definido. O advogado assistente da acusação reforçou que uma pessoa em surto não dirige, não procura a vítima e não executa o crime de forma direcionada.
O júri também ouviu ex-colegas de trabalho da vítima, além da viúva e das duas filhas de João Rosário. A filha relatou que vivia um relacionamento violento e abusivo com Felipe Gabriel e que ele costumava andar armado.
O crime ocorreu em 27 de junho de 2022. De acordo com as investigações, duas horas antes de ser morto, João Rosário havia registrado uma denúncia contra o genro por violência doméstica. No mesmo dia, Felipe Gabriel foi até a farmácia pertencente à filha e efetuou vários disparos à queima-roupa contra o ex-sogro.
Após o crime, ele ligou para a então namorada dizendo que havia matado o pai dela e que ela seria a próxima. Felipe fugiu, mas foi preso dois dias depois e permanece detido desde então. Em 2023, ele já havia sido condenado a mais de três anos de prisão por ameaça e violência psicológica contra a filha da vítima.
Em outubro do ano passado, o julgamento chegou a ser cancelado após uma jurada passar mal durante um debate entre acusação e defesa. Agora, com a condenação confirmada, o réu cumprirá pena em regime fechado. A defesa informou que vai recorrer da decisão.



