Criança de 3 anos relata que pai teria ateado fogo na mãe em Aparecida de Goiânia
Jovem de 23 anos está internada em estado gravíssimo na UTI do Hugol; investigação aponta histórico de violência doméstica

Uma criança de apenas 3 anos levantou suspeitas de uma possível tentativa de feminicídio após relatar a familiares que o pai teria ateado fogo na mãe, em Aparecida de Goiânia. O caso ocorreu na noite da última quarta-feira (28), mas só chegou oficialmente ao conhecimento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) no domingo (1º).
A vítima, uma jovem de 23 anos, permanece internada em estado gravíssimo, entubada e sob cuidados intensivos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Ela sofreu queimaduras extensas por todo o corpo e ainda não tem condições clínicas de prestar depoimento.
Segundo informações apuradas pela polícia, a família da jovem só foi informada sobre a internação dias após o ocorrido. A comunicação partiu da cunhada da vítima, irmã do companheiro, que avisou a mãe da jovem sobre o estado de saúde da filha.
Questionado pela sogra, o homem de 22 anos, companheiro da vítima, alegou que as queimaduras teriam sido causadas por um acidente doméstico. De acordo com a versão apresentada, a jovem teria utilizado álcool na pia da cozinha enquanto preparava o jantar, provocando uma explosão seguida de incêndio. Ele afirmou ainda que prestou socorro imediato e que não avisou a família porque, segundo ele, a própria vítima teria pedido para não preocupar os parentes.
O suspeito também declarou que, no momento do ocorrido, estava na sala com a filha do casal, enquanto a mulher permanecia sozinha na cozinha.
A versão começou a ser contestada após uma fala espontânea da criança. Diante da ausência da mãe, a menina teria perguntado o que havia acontecido e afirmado que o “papai jogou fogo na mamãe”, relato que reforçou suspeitas já levantadas pela família.
A mãe da vítima informou à polícia que a filha vivia um relacionamento marcado por violência doméstica, com agressões físicas anteriores motivadas por ciúmes. Moradores do prédio onde a família residia também relataram ter ouvido discussões frequentes e barulhos vindos do apartamento, especialmente aos fins de semana.
A DEAM avalia a solicitação de medidas protetivas, tanto para a jovem, assim que houver melhora clínica, quanto para a criança, considerada vítima indireta da violência. As investigações seguem em andamento e incluem o confronto de versões, coleta de provas técnicas e oitiva de testemunhas.
A Polícia Civil ressalta que relatos de crianças em contextos de violência doméstica são analisados com cautela, mas tratados com seriedade, podendo ser determinantes para o esclarecimento dos fatos. O caso segue sob sigilo, para preservar a integridade da mãe e da criança.


