Senador Canedo consolida modelo de bem-estar animal e torna-se referência nacional em gestão pública
Política estruturada de castração, vacinação, microchipagem, adoção responsável e monitoramento reduz abandono e fortalece saúde pública
O que antes era um problema crônico, o crescimento desordenado de cães e gatos em situação de rua se transformou em um dos exemplos mais estruturados de política pública de bem-estar animal no Brasil. Em poucos anos, Senador Canedo saiu do descontrole populacional para se tornar referência nacional em proteção, cuidado e gestão responsável.
A partir da primeira gestão do prefeito Fernando Pellozo, em 2021, o poder público decidiu tratar o tema como política pública permanente, baseada em planejamento, saúde coletiva e educação da população.
À frente do programa, a médica veterinária Isabela Lauri acompanhou essa virada desde o início. Durante entrevista, concedida por videochamada ao Diário de Aparecida, diretamente de Teresópolis (RJ), onde participava de um evento compartilhando a experiência de Senador Canedo, ela destacou que o trabalho foi construído do zero.
“A gente partiu de um cenário de total descontrole para estruturar uma política com pilares bem definidos, envolvendo saúde, educação e responsabilidade social”, afirmou.
Vacinados e microchipados
Um dos diferenciais do modelo adotado no município é a criação de uma rede integrada de atendimento. O Centro de Acolhimento Temporário de Animais (CATA) funciona com um protocolo específico: os animais resgatados são castrados, tratados, vacinados e microchipados.
Depois, são encaminhados para adoção. Quando isso não ocorre, retornam à comunidade de origem, na condição de animal comunitário, ou seja, aqueles que todos cuidam, mas não são tutelados por ninguém. Ainda assim, continuam sendo monitorados, graças ao microchip implantado.
A estrutura foi ampliada em 2024 com a implantação do Centro Municipal de Castração, que atende principalmente tutores de baixa renda e protetores independentes cadastrados.
Em 2025, o programa avançou ainda mais com a criação de um sistema próprio, que permite o acompanhamento dos animais e a gestão de dados em tempo real, incluindo um site de adoção que impulsionou o engajamento da população.
Os resultados confirmam a efetividade da política. De 2021 para cá já foram feitos quase 10 mil atendimentos, com cerca de 2.600 castrações, mais de 6.600 vacinas aplicadas e quase 500 adoções.
Só em 2026, até maio, mais de 200 animais já haviam sido adotados. “Número superior a anos inteiros, antes da implantação das ferramentas digitais”, confirma a Secretária de Bem-estar Animal, Isabella Lauria.
Outro impacto relevante foi a redução significativa das denúncias de maus-tratos, reflexo direto da combinação de controle populacional, acompanhamento dos animais e ações educativas.
O modelo adotado em Senador Canedo também contribui para o controle de zoonoses e fortalece a conscientização sobre guarda responsável. O resultado é uma transformação que vai além do cuidado animal: melhora a qualidade de vida da população e consolida o município como referência em gestão humanizada e eficiente.



