Senador Vanderlan vai à tribuna, defende fim da escala 6×1 e critica uso eleitoral da proposta: “O trabalhador não pode ser lembrado em outubro e esquecido em novembro”
Senador goiano manteve a posição que defendeu durante toda a campanha, relatou a experiência das próprias empresas com a nova jornada e afirmou que trabalhador e empresa não são rivais
O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) usou a tribuna do Senado nesta quarta-feira (14) para defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que acaba com a escala 6×1. Durante a sessão que analisou a matéria em plenário, ele declarou voto favorável e fez duras críticas à politização do tema. A PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de descanso por semana, sem redução de salário.
Vanderlan afirmou que a proposta passou meses sendo tratada como peça de campanha, ora adiada, ora acelerada, conforme o calendário eleitoral. “Mudaram-se discursos ao sabor das pesquisas. E eu pergunto a este plenário: onde estava o trabalhador nessa conta?”, questionou.
Para o senador, transformar temas de interesse nacional em disputa de palanque prejudica o país e confunde o eleitor. “Quando um tema de interesse nacional vira disputa de palanque, o Brasil perde. O debate deixa de ser sobre o que é melhor para o país e passa a ser sobre o que rende mais votos”, disse. “O trabalhador brasileiro não pode ser usado como bandeira em outubro e esquecido em novembro.”
Coerência
A posição repete o que Vanderlan defendeu ao longo de toda a campanha eleitoral, quando se manifestou pelo fim da escala 6×1 e cobrou que a PEC fosse votada ainda este ano. No discurso, ele lembrou o trabalhador que sai de casa de madrugada e a mãe que trabalha seis dias por semana. “Ele quer saber se vai ter um dia a mais para ver o filho crescer”, afirmou.
Empresário desde os 17 anos, Vanderlan contou que suas empresas começaram a se adequar ao novo modelo de jornada há cinco anos e que a mudança facilitou a contratação. “O bom profissional quer trabalhar onde ele tem tempo para a família, para estudar e para descansar. Mais tempo livre não afastou ninguém. Atraiu gente”, disse.
O senador também relembrou o incêndio que atingiu, em maio, sua empresa em Senador Canedo. Segundo ele, os primeiros a se oferecer para ajudar na reconstrução e manter a produção, mesmo que tivessem de trabalhar em outro estado, foram os próprios funcionários. “Eles enxergam a empresa como parceira, e não como adversária”, afirmou.
Para Vanderlan, a polarização tenta vender a ideia de que patrão e empregado são inimigos. “Não são. Quando a empresa vai bem, o trabalhador vai bem. Quando o trabalhador vai bem, a empresa vai melhor ainda”, disse.
O senador registrou as duas emendas que apresentou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A primeira prevê uma compensação temporária, decrescente e limitada a cinco anos para ajudar as empresas na transição, com atenção especial às pequenas. A segunda cria a jornada flexível com salário por hora, por escolha do trabalhador e mediante acordo escrito. Nessa modalidade ficam garantidos férias, 13º salário, FGTS e previdência, e a hora nunca pode valer menos que o salário mínimo ou o piso da categoria.
“São propostas para somar, nunca para atrasar. A prioridade agora é uma só: aprovar o fim da escala 6×1”, concluiu.



