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Polícia alerta para o golpe do falso advogado em Goiás

Nos últimos anos, diversas vítimas relataram prejuízos financeiros significativos com ações de quadrilhas

A Polícia Civil e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) alertam para o crescimento de golpes praticados por criminosos que se passam por advogados para extorquir dinheiro de pessoas com processos em andamento na Justiça. A fraude utiliza informações reais de ações judiciais para convencer as vítimas de que precisam realizar pagamentos para liberar valores, acelerar procedimentos ou resolver pendências processuais. Na maioria dos casos, as transferências são solicitadas por meio do sistema de pagamentos instantâneos PIX.

A prática criminosa envolve técnicas para manipular as vítimas e conquistar sua confiança. Os golpistas podem entrar em contato por telefone, aplicativos de mensagens ou e-mail, apresentando-se como advogados responsáveis pelo processo ou como integrantes de escritórios de advocacia. Para tornar a abordagem convincente, utilizam nomes de profissionais legítimos, números de processos e outras informações que demonstram conhecimento sobre a situação judicial da pessoa abordada.

Durante as conversas, os criminosos podem solicitar dados pessoais, como Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), endereço, telefone e informações bancárias. Em algumas situações, chegam a pedir números de contas e senhas, ampliando os riscos de prejuízos financeiros e de utilização indevida dos dados.

A vulnerabilidade das vítimas também está relacionada à expectativa de solucionar processos que, em determinados casos, tramitam há anos no Poder Judiciário. Ao receber uma mensagem com informações aparentemente legítimas sobre uma decisão favorável ou a possibilidade de liberar valores, a pessoa pode acreditar que está diante de uma oportunidade real. Sob pressão, acaba realizando transferências sem confirmar a identidade do interlocutor.

Além das ligações e mensagens, os criminosos podem encaminhar e-mails com links suspeitos e páginas fraudulentas para dar aparência de legitimidade à abordagem. Essas estratégias buscam induzir a vítima a fornecer informações pessoais, acessar conteúdos maliciosos ou efetuar pagamentos indevidos.

Vários casos são investigados pela PC-GO

Entre as vítimas identificadas em Goiás está um médico de Anápolis, município localizado a aproximadamente 55 quilômetros de Goiânia, que sofreu um prejuízo de meio milhão de reais. Segundo informações da Polícia Civil de Goiás (PC-GO), os criminosos conseguiram subtrair o máximo de  dados da vítima para efetivar o golpe.

Após tomar conhecimento do caso, a Polícia Civil iniciou as investigações, que resultaram na prisão de três pessoas em Fortaleza, no Ceará. A apuração busca esclarecer a participação dos envolvidos na fraude.

Outro caso foi registrado em Aparecida de Goiânia. Policiais do 5º Distrito Policial prenderam um homem de 36 anos, suspeito de aplicar o golpe contra uma vítima do município. Conforme o relato apresentado à polícia, o investigado teria se passado pelo advogado da vítima e provocado um prejuízo de R$9.900. A ocorrência foi registrada em janeiro deste ano, e o caso foi tratado como suspeita de estelionato virtual.

Registros semelhantes em Goiás e em outros estados levaram autoridades policiais e representantes da advocacia a reforçar os alertas sobre a atuação dessas quadrilhas. Operações policiais também são realizadas para identificar suspeitos e localizar endereços associados às práticas criminosas.

Como se proteger

A orientação é desconfiar de pedidos urgentes de pagamento relacionados a processos judiciais, especialmente quando há promessa de liberação imediata de valores mediante transferência. Antes de efetuar qualquer PIX, a pessoa deve entrar em contato com seu advogado por um telefone já conhecido ou confirmar a solicitação diretamente com o escritório responsável.

Também é importante não compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados bancários por telefone, mensagens ou links recebidos de desconhecidos. Em caso de suspeita, a recomendação é guardar conversas, comprovantes e demais registros, procurar a polícia e comunicar imediatamente o banco se houver transferência.

A prevenção e a denúncia são fundamentais para dificultar a atuação dos criminosos e reduzir o número de vítimas.

 

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