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Entidades de Goiás pedem adiamento do debate sobre fim da escala 6×1

Mudança na jornada pode afetar empregos e crescimento, dizem empresários

O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO) defendeu o adiamento da discussão sobre o fim da jornada de trabalho no modelo 6×1 no Congresso Nacional. Em carta aberta, a entidade afirma que o tema precisa ser debatido de forma técnica, ampla e sem influência do cenário eleitoral.

O Fórum argumenta que o momento político atual não é adequado para uma análise aprofundada e alerta para possíveis impactos negativos da mudança. Segundo estudos citados pela entidade, a medida pode resultar na redução de até 630 mil empregos formais, além de aumento nos custos para as empresas.

A proposta de acabar com a escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias e descansa um, vem ganhando força no Congresso. O governo federal é favorável à mudança e defende a redução da jornada semanal para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

Para o setor empresarial, no entanto, a diminuição da jornada pode afetar o crescimento econômico e setores que dependem de funcionamento contínuo. O debate deve continuar nos próximos meses.

Leia a carta abaixo:

CARTA ABERTA AOS PREFEITOS, DEPUTADOS FEDERAIS, SENADORES E TRABALHADORES GOIANOS

AS AMEAÇAS ESCONDIDAS NO FIM DA JORNADA 6 X 1

O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), manifesta preocupação com propostas de alteração da jornada de trabalho que impliquem a extinção do regime 6×1, com base em profundos estudos técnicos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e análises da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

1. PERIGO REAL AO SEU EMPREGO
A extinção do regime 6×1 trará impactos diretos sobre o mercado de trabalho, com risco de redução de até 630 mil empregos formais no país, especialmente em setores intensivos em mão de obra. Pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia.

2. QUEM PERDER O EMPREGO TERÁ DIFICULDADE EM SE RECOLOCAR NO MERCADO
Mesmo essa pequena redução da jornada de trabalho provocar retração de até R$ 76 bilhões no PIB, afetando a geração de empregos e atingindo principalmente trabalhadores de menor qualificação, concentrados em funções operacionais. Simulações do IBRE/FGV apontam ainda que o PIB pode cair até 11,3%.

3. IMPACTO NEGATIVO NOS SALÁRIOS E NA RENDA FAMILIAR
A elevação dos custos do trabalho, estimada em até 7% na folha salarial, tende a levar empresas a reduzir contratações, limitar horas extras e rever benefícios, com impacto direto na renda mensal das famílias e na capacidade de consumo.

4. REDUÇÃO NO COMÉRCIO, NOS SERVIÇOS DO DIA A DIA E NO AGRO
Os levantamentos indicam impacto anual de até R$ 122,4 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões no setor de serviços, com potencial redução de vagas em atividades como atendimento, vendas e serviços essenciais. Além disso, aumento de custos entre 7,8% e 8,6% no setor agropecuário, com potencial redução de postos de trabalho, especialmente em regiões do interior onde o agro é a principal fonte de emprego e renda, como em Goiás. Na indústria, o aumento de gastos com empregados formais seria proporcionalmente maior: cerca de 11%, o equivalente a R$ 88 bilhões. Simulações do IBRE/FGV apontam ainda que o PIB pode cair até 11,3%.

5. AUMENTO DE PREÇOS, INFLAÇÃO E JUROS ALTOS
O repasse desses custos pode gerar aumento de até 13% nos preços ao consumidor, pressionando a inflação, reduzindo o poder de compra e dificultando a queda das taxas de juros, com impacto mais intenso sobre famílias de menor renda.

6. AMEAÇA AO SONHO DA CASA PRÓPRIA
Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta riscos para quem pensa em adquirir imóvel, já que prevê aumento de 10% no custo da hora trabalhada, somado ao risco de menor oferta de imóveis e prazo de entregas mais longos.

NECESSIDADE DE DEBATE AMPLO FORA DA CONTAMINAÇÃO ELEITORAL
Diante de impactos dessa magnitude — envolvendo retração econômica, aumento de custos, redução de empregos e pressão inflacionária — o Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), defenderá junto aos prefeitos, deputados federais e senadores do Estado, de maneira firme, constante e decidida, o adiamento da discussão para o próximo ano. Isso permitirá o debate amplo, técnico e equilibrado, com participação de todos os setores da sociedade, considerando que o atual período eleitoral pode comprometer a análise objetiva de um tema que afeta diretamente milhões de trabalhadores brasileiros.

ENTIDADES DO FEE-GO
ACIEG, ADIAL, FACIEG, FAEG, FCDL-GO, FECOMÉRCIO-GO, FIEG e OCB/GO

 

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