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Sem Lula e Flávio, Caiado pode ser o grande beneficiado do 1º debate presidencial

Ausência dos favoritos nas pesquisas abre espaço para o candidato do PSD ganhar protagonismo no primeiro confronto televisivo da campanha, mas efeito real ainda é incerto

Eduardo Marques

O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, marcado para este domingo (23), às 20h, na Band, chega ao ar sem os dois nomes mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. Ambos confirmaram ausência: a campanha de Lula (PT) avalia que o formato do encontro colocaria o presidente na posição de alvo isolado, já que os demais candidatos convidados pertencem majoritariamente ao espectro de direita. A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) condicionou a presença do senador à do petista, decidindo também ficar fora.

Restam no palco Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) — e é justamente essa configuração que analistas políticos apontam como potencialmente vantajosa para o ex-governador de Goiás.

Um palco sem concorrência direta

Com a saída dos dois favoritos, Caiado se torna o nome mais competitivo fisicamente presente no estúdio da Band. Na prática, isso significa disputar a atenção do público sem o desgaste de um confronto direto com quem lidera as pesquisas — cenário que costuma concentrar cobertura e repercussão em torno de apenas dois candidatos, deixando os demais em segundo plano.

O debate seguirá formato já definido pela emissora, com confrontos diretos entre os candidatos, em blocos específicos, além de perguntas formuladas por jornalistas do Grupo Bandeirantes, buscando equilíbrio de tempo entre réplicas e tréplicas. Na ordem dos púlpitos, definida em sorteio com representantes das campanhas, Caiado aparece ao lado de Augusto Cury e Romeu Zema, na sequência do palco, completando a bancada — posição que o coloca em destaque visual ao lado de outros dois presidenciáveis de menor densidade eleitoral até aqui.

Para analistas, esse cenário abre a Caiado a chance de se apresentar como a opção mais consolidada do campo à direita de Lula, sem o risco de ser ofuscado por Flávio Bolsonaro. Além disso, de testar propostas e mensagens em rede nacional sem o desgaste histórico que confrontos diretos com o presidente costumam gerar.

O outro lado: menos audiência, menos repercussão

Nem todos os efeitos, porém, são favoráveis. Debates sem a presença dos líderes de pesquisa tendem, historicamente, a atrair menos espectadores e gerar cobertura mais discreta nos dias seguintes — o que pode limitar o alcance de uma eventual boa atuação de Caiado. Falta também o chamado “efeito comparação”: parte do valor eleitoral de um debate está em ser visto lado a lado com o principal adversário, algo que fica inviabilizado com os púlpitos de Lula e Flávio vazios.

Há ainda o risco de dispersão dentro do próprio campo de centro-direita. Com quatro candidatos de perfil relativamente próximo disputando o mesmo espaço — Caiado, Zema, Renan Santos e Cury —, a atenção do eleitorado pode se fragmentar em vez de se concentrar na candidatura do PSD.

Não é o único debate da temporada

O episódio de domingo é apenas o primeiro de uma série de confrontos previstos para o primeiro turno. Já há confirmação de um segundo debate, o “Momento da Decisão”, onde foram convidados seis candidatos: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. A presença do petista e do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda é incerta.

Isso indica que o cálculo político por trás da presença de Caiado no debate da Band não é necessariamente decidir a corrida eleitoral já no primeiro encontro, mas usar a aparição como degrau: acumular tempo de exposição e testar seu discurso antes de, eventualmente, confrontar diretamente Lula e Flávio Bolsonaro nos debates seguintes.

Se a estratégia funcionar, o termômetro estará nas pesquisas de intenção de voto divulgadas nos dias seguintes ao debate — até lá, o ganho de Caiado permanece uma hipótese, não um fato consumado.

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