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PF faz operação contra Dark Horse e Dino tira sigilo do caso

Ação mira desvio de emendas parlamentares usadas no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro

Eduardo Marques

O ministro Flávio Dino tirou o sigilo da ação sobre o filme Dark Horse nesta quinta-feira (10). A decisão veio horas depois de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação. O nome escolhido para a ação foi Make Up.

Ao todo, são quarenta e nove mandados de busca e apreensão. Eles atingem São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e o Distrito Federal. Não há mandados de prisão.

Entre os alvos está o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Ele assina o roteiro do filme e, em 2024, destinou dois milhões de reais em emendas para a ONG ligada à produção. A produtora Karina Gama também é alvo. Ela é dona da Go Up Entertainment. Outras vinte pessoas entraram na lista de investigados.

A Polícia Federal e a Controladoria Geral da União trabalham juntas nesse caso. Segundo a corporação, há indícios de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido direcionado a empresas subcontratadas de forma irregular. Não haveria comprovação real dos serviços prestados.

As investigações apontam movimentações de centenas de milhões de reais entre as empresas do esquema. Os crimes apurados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

Esse capítulo tem raízes mais antigas. Em agosto, Dino já tinha autorizado o compartilhamento de dados entre a Polícia Civil de São Paulo e a PF. O material havia sido apreendido em uma operação contra Karina Gama, feita em junho. Na ocasião, a suspeita era de fraude em uma licitação de cento e oito milhões de reais, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, ligado a ela.

A defesa de Mário Frias já reagiu antes a esse tipo de acusação. Em maio, negou qualquer triangulação de emendas para financiar o filme. Classificou a hipótese como algo “puramente especulativa” e chamou o argumento de “frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante”.

O pano de fundo financeiro do filme também chama atenção. Mais de noventa por cento do orçamento veio do banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas pela PF sugerem que o financiamento seguiu de forma sigilosa. O combinado entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro teria continuado mesmo depois da prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

A decisão de Dino também acontece num momento delicado. Um dia antes, ele havia derrubado uma decisão do ministro André Mendonça sobre o afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues. O argumento usado foi que a medida atrapalharia investigações como a do caso Dark Horse.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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