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Com 22 reeleitos e 19 novatos, Alego começa a disputar quem sucede Bruno Peixoto

MDB tem a maior bancada e três nomes na disputa, mas a influência do governador Daniel Vilela pode pesar mais do que a força dos partidos

Eduardo Marques

A disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) já mexe com os bastidores. Pelo menos oito nomes aparecem na sucessão de Bruno Peixoto (União Brasil), que deixa a Casa para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. A eleição da nova Mesa Diretora será em 1º de fevereiro de 2027, mesmo dia da posse dos deputados da 21ª Legislatura.

Os nomes citados nas articulações são Virmondes Cruvinel (União Brasil), Paulo do Vale (PSD), Issy Quinan (MDB), Wilde Cambão (União Brasil), Charles Bento (MDB), Paulo Cezar Martins (MDB), Cairo Salim (MDB) e Lissauer Vieira (PL). Os três últimos nomes citados já disseram publicamente que querem concorrer. Os demais aparecem como ventilados nas conversas de bastidores.

Reeleitos tentam fechar questão

O movimento mais forte até agora veio na quarta-feira (7). Segundo os bastidores, 21 deputados que permanecem na Casa decidiram atuar juntos para que o próximo presidente seja um reeleito. O grupo é expressivo. A nova Alego terá 22 deputados reeleitos e 19 novos, uma renovação de 46% das cadeiras.

Essa articulação encontra resistência natural entre os novatos, que também querem espaço na Mesa. É nesse campo que Lissauer Vieira tenta construir apoio. Ele presidiu a Alego entre 2019 e 2023, volta ao Legislativo depois de quatro anos e foi eleito com 46.056 votos. Lissauer admite a possibilidade de concorrer, mas diz que a decisão depende dos colegas.

Outro nome que ganha força entre os estreantes é o de Paulo do Vale. Ex-prefeito de Rio Verde, ele teve 72.792 votos, a segunda maior votação da eleição para a Assembleia. Só ficou atrás de Carol do Amiltinho (MDB), que somou 109.002.

MDB tem a maior bancada e vários nomes

O tamanho das bancadas também entra na conta. O MDB terá sete deputados, a maior bancada da próxima legislatura. O PL terá cinco cadeiras. União Brasil e PT terão quatro cada, e PRD e Mobiliza, três. Ao todo, 16 partidos e federações estarão representados. Essa pulverização torna as negociações mais importantes e mais difíceis.

No MDB, três nomes se movimentam. Issy Quinan é o primeiro vice-presidente da Casa e comandou as sessões desta quinta-feira (8), na ausência do titular.

Paulo Cezar Martins foi eleito para o sétimo mandato seguido, com 39.275 votos, e teve apoio em 232 dos 246 municípios goianos. Decano da Assembleia, ele apresenta a experiência como argumento para construir uma Mesa que dialogue com todas as bancadas. Nesta quinta, declarou-se “soldado do governador Daniel Vilela” e defendeu que o presidente garanta governabilidade, com harmonia e independência entre os Poderes.

Cairo Salim, reeleito para o terceiro mandato com 48.192 votos, pede cautela. Para ele, os mais experientes devem ouvir os novos deputados antes de transformar a sucessão em disputa aberta. Também defende conversa com o governador, mas lembra que a escolha não precisa ficar restrita ao MDB.

União Brasil aposta na experiência

Do lado do União Brasil, Virmondes Cruvinel é reeleito para o quarto mandato, com 53.821 votos. Já foi primeiro-secretário da Casa, presidiu comissões e atua em temas como inovação e desenvolvimento econômico. Wilde Cambão, atual segundo-secretário, teve 53.550 votos e também manifestou interesse.

Bruno incentiva, e o governador pesa

Bruno Peixoto presidiu a Alego por dois mandatos e foi eleito deputado federal com mais de 207 mil votos. Ele tem estimulado os interessados a se movimentarem e defende que o sucessor tenha experiência na Casa.

Há ainda o fator Daniel Vilela. Reeleito no primeiro turno, o governador começa o novo mandato em janeiro, um mês antes da posse dos deputados. O grau de influência do Palácio das Esmeraldas na escolha será uma das principais variáveis da disputa.

Por enquanto, não há candidatura única. O que existe são conversas paralelas e grupos em formação. Além da Presidência, vice-presidências e secretarias também entram na negociação. A tendência é que a Mesa seja decidida como um pacote, e não apenas como a escolha de um nome.

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