
Uma servidora administrativa de uma escola estadual em Itaberaí, no interior de Goiás, confessou ter desviado cerca de R$ 90 mil dos cofres da unidade para fazer apostas em um jogo online popularmente conhecido como Jogo do Tigrinho. Os desvios teriam ocorrido ao longo de três meses, segundo investigação conduzida pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) e pela Polícia Civil.
De acordo com o depoimento prestado pela funcionária à autoridade policial em 2024, ela tinha acesso exclusivo às contas da escola, pois era responsável pela prestação de contas, pedidos de materiais e pagamentos. Nesse período, teria transferido gradualmente os recursos públicos para sua conta pessoal antes de apostar os valores na plataforma virtual. A intenção inicial, conforme relatou, seria recuperar o dinheiro e depois devolvê-lo à escola, o que não aconteceu, e todo o valor foi perdido nas apostas.
Ainda segundo as investigações, a servidora também retirou R$ 2,8 mil da conta bancária de seu marido sem o consentimento dele, aplicando esses valores no jogo. Após perceber que não poderia repor os recursos desviados, ela procurou espontaneamente a delegacia para relatar o esquema e chegou a pedir para ser presa.
O caso foi registrado como crime de peculato, tipificado pelo desvio de dinheiro público por servidor no exercício da função. Além desse episódio, a Seduc informou que cerca de 15 escolas estaduais em Goiás estão sob investigação por suspeita de uso indevido de recursos públicos em jogos de apostas online, incluindo outras ocorrências ligadas ao jogo do Tigrinho, identificadas por auditorias e denúncias da comunidade escolar.
As apurações administrativas e criminais seguem em andamento. A Seduc tem afastado preventivamente servidores suspeitos de envolvimento e adotado medidas para reparar eventuais prejuízos ao funcionamento das unidades e ao atendimento dos alunos.



