O Partido Liberal (PL) registrou, nesta quinta-feira (13), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O cadastro ocorreu após o TSE restabelecer a filiação do parlamentar à legenda, em meio ao impasse provocado pelo aparecimento de seu nome como membro do partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral.
Ao registrar a candidatura, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou patrimônio de R$ 8,186 milhões. O valor representa um aumento de cerca de 370% em relação aos R$ 1,7 milhão declarados em 2018, quando disputou pela primeira vez uma vaga no Senado. Em valores absolutos, o crescimento foi de aproximadamente R$ 6,4 milhões. O salário bruto atual como parlamentar é de R$ 46.366,19.
A maior parte do patrimônio declarado por Flávio Bolsonaro está concentrada em uma casa localizada no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6.226.043,80. O imóvel corresponde a 76% do total de bens informados pelo candidato e não aparecia na declaração apresentada por ele em 2018.
O segundo maior item da declaração é um fundo de investimento em cotas multimercado, no valor de R$ 1.090.520,47. A lista apresentada neste ano inclui ainda um veículo avaliado em R$ 133 mil.
O pedido de registro de candidatura foi feito horas após o TSE regularizar a filiação de Flávio ao PL. Mais cedo, o presidenciável havia aparecido como filiado ao Missão, partido de Renan Santos, que também disputará a Presidência da República. O erro impedia candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro à Presidência.
“Fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo pra me parar, mas não vai conseguir, porque Deus está no comando e a gente junto vai resgatar o nosso Brasil”, declarou Flávio em vídeo publicado nas redes sociais. Na legenda, acrescentou: “Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar”.
O Missão, por sua vez, afirmou que “foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio” e disse que, ao identificar a situação, tentou cancelar o ato, mas teve o pedido rejeitado pelo TSE. A legenda também afirmou que o gabinete de Flávio Bolsonaro foi informado sobre a situação em 2 de agosto.
Na noite desta quinta-feira, Flávio afirmou que sua equipe acreditou que os e-mails enviados sobre a filiação ao Missão eram mensagens de spam e, por isso, foram direcionados para o lixo eletrônico. “Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido aí. (…) Acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, afirmou.
Renan Santos também se pronunciou sobre o caso. Segundo ele, “alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância”. O presidente do Missão acrescentou: “Essa história vai ficar feia para os envolvidos”.
O TSE negou que a filiação de Flávio ao Missão tenha ocorrido por meio de um ataque hacker ao sistema. Segundo a Corte, o caso envolveu “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. O PL também protocolou um pedido de desfiliação de Flávio do Missão, que está sob análise.
Patrimônio
Os dados apresentados no registro de candidatura mostram que Flávio Bolsonaro declarou um patrimônio superior ao informado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição deste ano. Segundo os dados, Lula declarou R$ 4,8 milhões em bens, valor cerca de 70% inferior aos R$ 8,186 milhões informados pelo senador.
Apesar do crescimento em relação a 2018, Flávio está distante do patrimônio declarado por outro candidato à Presidência. Romeu Zema (Novo) informou R$ 178,7 milhões em bens, montante mais de 20 vezes superior aos R$ 8,186 milhões declarados pelo senador do PL.



