Influenciadores digitais ampliam presença na disputa eleitoral em Goiás
Busca é pela transformação da popularidade em votos
As eleições de 2026 colocam em evidência um fenômeno que ganhou força com a popularização da internet: a transformação de personalidades das redes sociais em personagens do cenário político. Conhecidos inicialmente por conteúdos de entretenimento, humor, opiniões ou vídeos que alcançaram milhões de visualizações, influenciadores digitais passaram a enxergar na política uma possibilidade de ampliar sua atuação pública e disputar espaço nas urnas.
Em Goiás, um dos nomes que chamou atenção nesse movimento é Cláudio dos Santos Nogueira, conhecido nas redes sociais como Papacapim. O influenciador, que neste ano alcançou a marca de 7,5 milhões de seguidores somando suas principais plataformas, lançou sua pré-candidatura a deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Conhecido pelo bordão “Papa Capim dos Meus Sonhos”, Papacapim construiu sua popularidade a partir de conteúdos relacionados à criação de pássaros, especialmente o Sporophila caerulescens, conhecido popularmente como papa-capim. Agora, pretende levar a notoriedade conquistada no ambiente digital para a disputa eleitoral. Na corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados, divide a legenda com nomes já conhecidos da política goiana, como Mizair Lemes Júnior, Subtenente Sérgio, Lucas Vergílio, Flávia Morais, entre outros.
Conforme dados obtidos pelo Diário de Aparecida, Papacapim não declarou a existência de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O limite de gastos informado para a campanha chega a R$3.176.572,53.
Outro nome que pretende converter a popularidade nas redes sociais em votos é Cleitin Mil Graus. Conhecido pelos vídeos de humor, piadas envolvendo situações do cotidiano e críticas direcionadas a gestores públicos, o influenciador também já teve participação indireta em episódios relacionados à política goiana.
Com uma identidade marcada pelo uso de uma máscara de raposa e por manifestações em tom irreverente, Cleitin ganhou espaço nas redes por meio de conteúdos que misturam humor e críticas. Em 2024, sua atuação chegou ao conhecimento da Justiça Eleitoral em meio a episódios relacionados às eleições municipais, resultando na remoção de conteúdos das plataformas.
Para 2026, Cleitin Mil Graus pretende disputar uma das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Ele integra o grupo partidário formado por PRD e Solidariedade, mesma composição de Gustavo Mendanha na disputa pelo Senado Federal. Conforme os dados apresentados, o influenciador possui limite de gastos de R$1.270.629,01 e declarou patrimônio de R$50 mil à Justiça Eleitoral.
Situação recorrente em outros estados

O movimento também se repete em outros estados. Entre os nomes que buscam espaço na política está o humorista Marco Antônio Ricciardelli, o Marquito do Ratinho, conhecido pela participação no programa apresentado diariamente. Filiado ao PSD, ele declarou ao TSE patrimônio de R$968.066,23.
Também pelo PSD, Sílvia Abravanel, ex-apresentadora do programa infantil “Bom Dia & Companhia” e filha do empresário e apresentador Silvio Santos, busca uma vaga de deputada federal por São Paulo. Ela declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$47.546.965,91. Sílvio Santos morreu em 17 de agosto de 2024.
Outro personagem conhecido nacionalmente pelas redes sociais é Manoel Gomes, cantor maranhense de Balsas que alcançou grande popularidade com a música “Caneta Azul”. Pelo Avante, ele disputa uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Conforme os dados apresentados, Gomes não declarou bens ao TSE.
A relação inclui ainda Maria José Mendes da Cruz, conhecida como “Menina da Bota”. Natural de Angelândia, em Minas Gerais, ela ganhou notoriedade nas redes sociais com vídeos de dança, especialmente apresentações de forró, marcadas por movimentos corporais que se tornaram sua principal característica.
A presença desses nomes revela uma mudança na relação entre popularidade, comunicação e política. Com milhões de pessoas acompanhando diariamente conteúdos pelas redes sociais, a visibilidade construída no ambiente digital passou a integrar o cenário eleitoral e a aproximar personalidades originalmente ligadas ao entretenimento da disputa por cargos públicos.



