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Novo Anel Viário coloca Aparecida no centro do crescimento metropolitano

Obra de 44 quilômetros redesenha mobilidade, logística e expansão econômica de Aparecida de Goiânia

Fernanda Cappellesso

Aparecida de Goiânia deve ocupar posição estratégica na transformação provocada pelo novo Anel Viário da Região Metropolitana. O projeto prevê 44 quilômetros e investimento superior a R$ 1,1 bilhão para criar uma alternativa ao tráfego pesado que hoje utiliza trechos urbanos da BR-153. Além de reorganizar deslocamentos, a nova infraestrutura pode influenciar a localização de empresas, o mercado imobiliário e a expansão urbana. Para Aparecida, que concentra parques industriais e corredores logísticos, os efeitos tendem a ultrapassar a mobilidade.

O projeto chega enquanto o município executa intervenções próprias. Entre elas estão a trincheira do Parque das Nações e o eixo da Praia do Júlio, que liga a região ao Muriti Sereno, ao atual Anel Viário e à GO-040, além da segunda ponte na Avenida Iraturu. Segundo o prefeito Leandro Vilela, o conjunto representa cerca de R$ 80 milhões em investimentos. A prefeitura também trabalha com dois novos viadutos, um na região de Santa Luzia e outro na área central.

Logística pode ampliar competitividade

Para o economista Marcelo Marques, infraestrutura rodoviária interfere diretamente no planejamento das empresas. Tempo e previsibilidade dos deslocamentos afetam entregas, utilização das frotas, estoques e custos operacionais. Ele também relaciona a qualidade das conexões à capacidade de atrair investimentos, já que empresas observam acesso a fornecedores, trabalhadores, consumidores e redes de transporte antes de decidir onde instalar unidades produtivas e centros de distribuição.

“Para uma cidade com forte presença industrial e logística como Aparecida, melhorar a conexão com os grandes corredores significa reduzir incertezas no transporte. Tempo de deslocamento, previsibilidade das entregas e acesso a fornecedores entram diretamente na formação dos custos das empresas”, afirma Marques.

Nova via pode valorizar terrenos

A arquiteta e urbanista Thaissa Finotti avalia que o Anel Viário pode acelerar processos de ocupação que já existem na Região Metropolitana. “A construção do Anel não irá criar a conurbação, ela pode, realmente, acelerar um processo que já existe, valorizando ainda mais os terrenos”, afirma.

A arquiteta e urbanista Maria Ester de Souza, doutora em Geografia Urbana e pesquisadora do INCT Observatório das Metrópoles, chama atenção para o papel das leis municipais. “Se junto com esse tipo de obra vier uma alteração na lei de ocupação e você passar a permitir usos diferenciados ao longo do anel, aí sim você tem uma interferência grande”, diz.

Ela alerta que expansão residencial sem serviços públicos aumenta o custo urbano. “Não está indo escola, hospital, posto de saúde, posto de polícia, praça. Está indo só lote, lote, lote e via, via, via”, afirma.

Planejamento precisa ser metropolitano

A arquiteta e urbanista Regina de Faria Brito, conselheira federal suplente do CAU/BR, defende que o impacto seja analisado além das divisas municipais. “Não são apenas 44 quilômetros de rodovia asfaltada que serão construídos, mas uma questão territorial envolvida em toda essa intervenção”, afirma.

Regina também chama atenção para cursos d’água, nascentes e áreas ambientalmente sensíveis alcançadas por novos corredores viários. Para ela, desenvolvimento econômico, mobilidade, ocupação urbana e proteção ambiental precisam ser planejados conjuntamente pelos municípios da Região Metropolitana.

Em Aparecida, a combinação entre Anel Viário, viadutos, trincheiras e ligações com áreas industriais pode abrir novas rotas para mercadorias e reduzir a dependência de corredores hoje sobrecarregados. O ganho, porém, dependerá de planejamento urbano, infraestrutura pública e integração metropolitana. A nova estrada pode fortalecer a vocação logística da cidade, mas o desafio será transformar acessibilidade em crescimento sem criar os gargalos do futuro.

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