Eduardo Marques
A corrida pelo Palácio das Esmeraldas ganhou seu primeiro capítulo nas telas de televisão e nos rádios de Goiás nesta sexta-feira (28). Com a estreia da propaganda eleitoral gratuita, que segue até 1º de outubro, os quatro principais candidatos ao governo do estado mostraram, em poucos minutos, para onde pretendem levar suas campanhas — e de quem pretendem se aproximar para chegar lá.
Entre memória, herança, movimento e padrinho político, a estreia do horário eleitoral já deixou claro que a disputa pelo governo de Goiás será marcada por narrativas bem distintas — todas elas, no entanto, apoiadas em nomes que pesam além dos próprios candidatos.
Wilder Morais (PL) abriu sua propaganda, de 1 minuto e 48 segundos, apostando na memória afetiva do eleitorado goiano. Em vez de recorrer à figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, líder do partido ao qual está filiado, o senador preferiu construir a estreia em torno de imagens do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, morto em 2021. A escolha chama atenção justamente por atravessar fronteiras partidárias: Iris construiu carreira no MDB, sigla que hoje comanda o governo estadual. Ao lado da referência histórica, o programa reservou espaço para críticas genéricas à atual gestão, num movimento que busca, antes de tudo, fortalecer a identidade de Wilder como o candidato do governo estadual — e não apenas mais um nome do bolsonarismo na disputa.
Com 4 minutos e 24 segundos de propaganda, Daniel Vilela (MDB), que tenta a reeleição, seguiu caminho oposto ao evitar qualquer distanciamento do momento recente. Seu primeiro programa colocou o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) em posição central, com falas e cenas ao lado do candidato. A presença de Caiado, que deixou o comando do estado em março para concorrer à Presidência da República, reforça a estratégia de Daniel: apresentar sua candidatura como continuidade natural de uma gestão iniciada em 2019 e ainda bem avaliada por parte do eleitorado.
Com o menor tempo de propaganda entre os postulantes ao governo, apenas 30 segundos, Marconi Perillo (PSDB) optou por um caminho mais visual do que discursivo. O programa de estreia foi marcado por cortes rápidos, imagens em movimento e o próprio candidato caminhando em diferentes cenas, num ritmo que evitou falas longas. A estratégia aposta na comparação entre os quatro mandatos em que Marconi governou Goiás e o cenário atual do estado, usando obras e programas do passado como contraponto à gestão em curso. Diante do pouco tempo disponível na TV, o programa também funcionou como chamada para as redes sociais, para onde a campanha pretende direcionar o eleitor em busca de conteúdos mais aprofundados.
Luís César Bueno (PT), que tem 2 minutos e 16 segundos de propaganda, apostou fortemente na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo nos primeiros segundos, o candidato foi apresentado como o escolhido de Lula para o governo de Goiás. O programa passeou pela trajetória pessoal e política de Luís César — da infância em Goiânia à atuação como professor, empresário e militante social, passando pela fundação do PT, pela Secretaria de Finanças de Goiânia na gestão de Darci Accorsi e pelos mandatos como vereador e deputado estadual — antes de dar lugar a Lula na segunda metade da peça. O presidente aparece em depoimento gravado, relembrando viagens ao interior goiano e obras do governo federal no estado, além de pedir votos diretamente para o candidato petista. Até o jingle de estreia reforça essa ligação, associando as campanhas estadual e presidencial.



