BrasilNotíciasPolítica

Pedido de vista de Dino paralisa julgamento que envolve Moraes e Mendonça

Sessão foi suspensa com placar parcial de 4 a 3 por manter separadas as análises

Eduardo Marques

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino pediu vista do julgamento que decide se os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça serão analisados juntos. A solicitação veio logo depois de Mendonça e Gilmar Mendes trocarem farpas sobre a condução do caso Master. Com isso, a apreciação fica sem data para voltar. O placar parcial está em 4 a 3.

Zanin, Moraes e Gilmar Mendes votaram pelo julgamento conjunto. Dino também defendeu essa posição, mas pediu para não entrar no placar, já que foi ele quem interrompeu a sessão. Do outro lado, Fachin, Fux, Cármen Lúcia e o próprio Mendonça votaram pela separação dos casos.

Nesta terça (15), o STF começou a discutir se Moraes pode ser investigado pela suposta ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin havia colocado o caso em pauta. Mas Gilmar Mendes pediu uma questão de ordem. Ele quer adiar o julgamento para o dia 23 e incluir também a análise de possíveis irregularidades cometidas por Mendonça, o antigo relator do processo, ao solicitar ao plenário a investigação contra Moraes.

Entenda

Para entender o caso, é preciso voltar a 1º de setembro. Foi quando Mendonça tirou o sigilo de um relatório que menciona Moraes. O gesto abriu uma crise sem precedentes dentro do Supremo. Os dois lados passaram a trocar documentos comprometedores e pedidos de investigação um contra o outro.

A PGR entrou no meio dessa disputa. Pediu a Fachin que anule o relatório parcial. O argumento é que Mendonça deixou a investigação avançar sobre um colega de tribunal sem avisar nem o presidente nem o plenário. Para a PGR, isso pode indicar que Mendonça direcionou o processo. Curiosamente, o nome do procurador-geral Paulo Gonet também aparece nas mensagens que a PF atribui a Vorcaro.

O relatório traz 52 mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro fala como quem tem intimidade com o ministro. Em um trecho, ele parece dizer que mandou um contrato de R$ 131 milhões do Master para o escritório de advocacia da esposa de Moraes. Em outro, tenta descobrir se havia uma operação para prendê-lo. As mensagens teriam sido trocadas entre 2023 e novembro de 2025, mês em que Vorcaro foi preso.

Na madrugada desta terça, Mendonça se defendeu. Negou qualquer irregularidade e chamou o relatório de inconstitucional e ilegal.

Reação

Moraes também reagiu. No dia 2 de setembro, divulgou outro relatório, esse de inteligência da PF, sugerindo que Mendonça teria usado a Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos. O documento não tem assinatura nem timbre oficial. Na capa, avisa que é apenas uma conjectura, sem valor de prova.

Moraes pediu a Fachin que abra investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade. Esse pedido tem julgamento marcado para 23 de setembro.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo