
Eduardo Marques
Quatro décadas depois de ser criado, o Condomínio Rio Branco, em Goiânia, está mais perto de ter moradores com escritura na mão. O prefeito Sandro Mabel autorizou, na noite desta quarta-feira (21), a regularização fundiária de 481 imóveis do loteamento, que foi registrado em 2016, mas nunca chegou a entregar os títulos individuais às famílias.
A expectativa da Prefeitura é que as escrituras sejam entregues em até 120 dias, sem custo para os moradores. O processo será bancado pelo município, em parceria com a Câmara Municipal. Segundo Mabel, as despesas de emissão e registro podem chegar a quase R$ 14 mil por imóvel.
A autorização foi anunciada em evento na Paróquia São Lucas. Para o prefeito, o ato dá ao bairro reconhecimento oficial e garante segurança jurídica às famílias. “Hoje nós estamos dando a certidão de nascimento do bairro”, afirmou. Ele também falou do que o documento representa para quem mora ali. “Significa a propriedade, a tranquilidade de dizer: essa casa é minha”, declarou.
O secretário municipal de Habitação, Juliano Santana, agradeceu aos moradores pela paciência e prometeu andamento. “Agora não é conversa, não. Agora vai acontecer”, disse.
O vereador Anselmo Pereira afirmou que a regularização também facilita a chegada de investimentos públicos e deve abrir caminho para novas melhorias no condomínio. Ele cobrou que a entrega seja completa. “Ele vai voltar aqui para entregar as escrituras registradas. É o que nós queremos, registradas”, afirmou.
Quem espera há décadas
Entre os moradores presentes, a emoção foi o sentimento mais comum. Conrado Pereira de Souza procura os documentos desde o fim da década de 1970. “Eu estou aqui à procura do documento. A gente comprou e pagou, mas tem só o recibo”, contou.
Paulo Vieira da Mota, que vive no Rio Branco há 38 anos, passou por diferentes administrações municipais sem ver o problema resolvido. “Tem 38 anos que moro no Rio Branco, incansavelmente andando atrás desse documento. Com tudo quanto é prefeito que já passou aqui”, disse. Ele se mostra esperançoso. “Eu acho que agora, se Deus quiser, vai dar certo”, completou.
Patrícia Marques, cuja família tem ligação com o bairro há cerca de 40 anos, vê na regularização uma conquista coletiva e o fim de uma luta que atravessou gerações. “Finalmente o bairro vai ser mais valorizado. É uma luta de várias gerações que agora está finalizada”, afirmou. Ela também comemorou as mudanças que a região viveu ao longo dos anos e classificou o momento como uma vitória da comunidade.



