Eduardo Marques
O Ministério Público de Goiás (MPGO) cumpriu nesta terça-feira (27) quatro mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, no Jardim Guanabara II, em Goiânia. A Operação Luz e Sombra apura, em tese, crimes contra a dignidade sexual praticados contra mulheres atendidas pela instituição.
O Ministério Público informou que irá divulgar apenas o nome da comunidade que o investigado presidia, portanto o Diário de Aparecida não conseguiu entrar em contato com o investigado para pedir um posicionamento.
Os mandados, expedidos pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da capital, alcançaram endereços ligados ao investigado, inclusive a sede da comunidade. A Justiça também quebrou o sigilo de seus dados telemáticos e impôs medidas cautelares diversas da prisão. Ele precisa comparecer a juízo todo mês e está proibido de entrar na sede da entidade e de participar de atividades ou eventos promovidos por ela em outros locais.
Segundo o MPGO, o homem teria se valido da fé e da posição de autoridade espiritual para submeter mulheres a situações que podem configurar violação sexual mediante fraude, prevista no artigo 215 do Código Penal. A investigação também reúne indícios de que ele repassou a terceiros, sem consentimento, fotos e vídeos íntimos de uma das vítimas, conduta que se enquadra no artigo 218-C.
As diligências indicam ainda que há outras vítimas. Para o MPGO, o investigado se aproveitou da fragilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade e teria trocado cestas básicas por material de conteúdo sexual.
O caso veio à tona a partir da denúncia de uma integrante da comunidade e tramita sob sigilo, como Procedimento Investigatório Criminal. Em julho, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência. A sede está temporariamente fechada e passou a ter nova administração.
O MPGO também recebeu a informação de que ele vinha realizando atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita. O dado aumentou a preocupação de que ele use outra vez a liderança religiosa para se aproximar de mulheres vulneráveis.
A operação foi conduzida por uma força-tarefa criada pela Procuradoria-Geral de Justiça, que atua com a 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia, o Centro de Apoio Operacional Criminal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita).
Quem tiver sido vítima ou souber de fatos relevantes pode procurar o Navita pelos telefones (62) 3243-5119, 3243-8161 e 3243-8120, pelo WhatsApp (62) 99428-7362 ou pelo e-mail navita@mpgo.mp.br. O atendimento presencial é no edifício-sede do MPGO, sala T-22, ala B.



