PL desafia Alcolumbre e disputa comando do Senado para enfrentar Lula
Rogério Marinho entra na corrida pela presidência da Casa, enquanto oposição busca ampliar influência sobre o STF e a agenda federal; Goiás terá participação nas negociações
A disputa pela presidência do Senado Federal ganhou força com a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), anunciada nesta quarta-feira (4). Líder da oposição, o parlamentar pretende enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e ampliar a influência dos aliados de Jair Bolsonaro sobre as decisões do Congresso Nacional.
A eleição ocorrerá em fevereiro de 2027. Para vencer, o candidato precisará conquistar pelo menos 41 votos entre os 81 senadores. O resultado será decisivo para o governo Lula (PT), que enfrentará uma oposição fortalecida após as eleições de outubro.
Ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Marinho aposta no crescimento do PL e na aproximação com outras legendas conservadoras. Entre as prioridades defendidas pela oposição estão a discussão sobre anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e a fiscalização das decisões do Supremo Tribunal Federal.
Alcolumbre, por sua vez, busca preservar o comando da Casa por meio de negociações com partidos do centro político. A disputa envolve o controle da pauta legislativa, a composição das comissões e a relação institucional com o Palácio do Planalto.
Para o especialista em política partidária Samuel Estevan, a eleição ultrapassa a escolha de quem presidirá as sessões. “Quem controla a presidência do Senado possui influência direta sobre o ritmo das votações e a articulação entre os Poderes. Para Lula, perder esse espaço de negociação poderá significar dificuldades na aprovação de projetos e na construção de acordos políticos. Para a oposição, conquistar o cargo representa uma oportunidade de ampliar sua capacidade de pressão”, analisa.
O presidente do Senado também possui atribuições relacionadas ao recebimento de pedidos de impeachment contra ministros do STF, tema defendido por setores da oposição. Entretanto, a vitória de Marinho não garantiria automaticamente a aprovação das propostas bolsonaristas. A tramitação dependerá das regras internas, das comissões e da formação de maiorias parlamentares.
A eleição também colocará à prova a capacidade de articulação dos partidos de centro, que poderão decidir o resultado caso nenhum candidato consiga reunir apoio suficiente.



