Saúde

Novembro Azul em Goiás: Câncer de próstata deve registrar mais de 2 mil novos casos por ano

Doença não costuma dar sinais no início, e esperar o sintoma pode atrasar o diagnóstico

Eduardo Marques

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) calcula que 77.920 brasileiros receberão, a cada ano entre 2026 e 2028, o diagnóstico de câncer de próstata. Em Goiás, a estimativa é de 2.610 casos anuais, dos quais 670 em Goiânia. Em 2024, a doença matou 17.826 homens no país, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer. Ela continua sendo o tumor mais comum entre os homens, sem contar os de pele não melanoma.

Os números ganham peso em novembro, mês em que a campanha Novembro Azul chama atenção para a saúde masculina. A mobilização se repete todos os anos com um objetivo simples, que é fazer os homens falarem sobre um assunto que muitos preferem empurrar para depois, seja por receio do exame, seja pela crença de que médico é coisa de quem já sente algum incômodo.

É justamente essa crença que preocupa os especialistas. Na fase inicial, o câncer de próstata costuma não dar sinal nenhum. Quem espera a dificuldade para urinar aparecer para procurar ajuda corre o risco de descobrir a doença mais tarde do que deveria.

O oncologista clínico Thiago Vidal Brito orienta que a conversa comece cedo. “Homens a partir dos 50 anos devem conversar com seu médico sobre iniciar o rastreamento do câncer de próstata. Aqueles que apresentam fatores de risco adicionais, como histórico familiar importante ou mutações genéticas hereditárias, especialmente no gene BRCA2, podem precisar iniciar essa discussão mais cedo”, afirma.

O PSA, exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata, é a principal ferramenta do rastreamento. Segundo o médico, um valor alterado não quer dizer que exista um tumor. “Uma alteração no resultado não significa, necessariamente, a presença de um tumor. Isso porque a proteína, produzida pela próstata, também pode apresentar níveis elevados em decorrência de inflamações e do aumento benigno da glândula”, explica Thiago.

O toque retal entra como complemento em situações específicas. Ele permite ao médico avaliar a consistência da próstata e perceber nódulos ou irregularidades, mas não precisa ser feito em todos os homens. Quem decide quais exames fazem sentido em cada caso é o médico, a partir do histórico e das condições de saúde do paciente.

Descobrir o tumor no início faz diferença no tratamento. Nessa fase, há mais chance de buscar a cura, por exemplo com a prostatectomia radical, cirurgia de retirada da próstata que pode ser feita pela técnica aberta, videolaparoscópica ou robótica. Se a doença já alcançou outros órgãos, a meta muda. “Quando a doença é identificada após se disseminar para outros órgãos, o objetivo do tratamento geralmente passa a ser o controle prolongado da doença, e não a cura. A decisão sobre a investigação deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente, considerando idade, histórico familiar, predisposição genética, condições gerais de saúde e expectativa de vida”, diz Vidal.

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