Cidades

Assembleia de Deus afasta pastor de todas as funções após relatos de suposto abuso sexual

Decisão foi tomada em reunião extraordinária, poucas horas depois de a liderança tomar conhecimento dos fatos, segundo o comunicado.

Eduardo Marques

A Assembleia de Deus Ministério Fama, em Goiânia, decidiu substituir imediatamente um líder de departamento e desligá-lo de todas as funções eclesiásticas, o que inclui a exclusão do cargo pastoral. A medida foi comunicada aos fiéis por meio de uma nota oficial, divulgada depois que acusações de suposto assédio, violência psicológica e estupro contra um pastor passaram a circular nas redes sociais.

Segundo o comunicado, a igreja agiu após “tomar conhecimento de fatos graves relacionados à conduta de um líder de departamento”. A decisão tem, nas palavras da própria instituição, “caráter administrativo” e vale tanto para a função que o pastor exercia na sede quanto para o pastorado.

A deliberação aconteceu na terça-feira (3), às 21h, em reunião extraordinária conduzida pelo presidente do ministério. Participaram todos os líderes de Rede da Juventude da sede e pastores que integram a diretoria da igreja. De acordo com a nota, o encontro ocorreu imediatamente após a apresentação dos fatos à liderança.

A igreja afirma ainda que acompanha o caso “de perto” e toma “todas as providências cabíveis”, com “seriedade e responsabilidade”, para que a situação seja conduzida de maneira adequada. O texto não especifica quais são essas providências. Também não informa se o caso foi encaminhado às autoridades policiais ou ao Ministério Público. Ao final, a instituição reafirma compromisso com “a verdade, a transparência, a responsabilidade institucional” e com o cuidado de membros e congregados.

Foto: Reprodução Instagram

O que dizem os relatos

As acusações vieram a público em vídeo publicado por uma influenciadora que se diz uma das vítimas. Ela afirma que o pastor atuava na liderança dos jovens da sede e que os episódios denunciados se arrastam há seis anos. Segundo ela, dezenas de mulheres a procuraram com depoimentos semelhantes.

Os relatos apontam que o religioso usava a posição de autoridade e argumentos ligados à fé para pressionar mulheres a aceitar abordagens de natureza sexual. Parte dos episódios teria ocorrido durante atendimentos pastorais. Há menção a supostas orientações para que mulheres retirassem as roupas no gabinete, sob a justificativa de que ele precisava examinar seus corpos.

Duas mulheres, entre elas a influenciadora, relatam que, ao questionar um toque que consideraram inadequado, ouviram que se tratava de uma demonstração de “carinho paternal”.

A influenciadora afirma ainda ter sofrido ataques e pressões de pessoas que defendem o pastor, e diz acreditar que a igreja tenta abafar o caso há seis anos. Em carta aberta, anunciou a intenção de organizar uma rede de apoio para acolher outras possíveis vítimas e reunir os relatos.

O nome da influenciadora foi omitido da reportagem a fim de resguardar sua identidade. Até a publicação deste texto, a igreja não se manifestou sobre a afirmação de que o caso seria conhecido há anos. O pastor também não teve a identidade divulgada, e sua defesa não foi localizada pelo Diário de Aparecida, mas o jornal esclarece que o espaço permanece aberto para manifestações, caso haja interesse.

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