Da poeira à metrópole: formação histórica e transformação urbana redefinem Aparecida
Pesquisa da mestre em cultura popular Nilda Simone evidencia como cooperação comunitária estrutura transição de 'cidade dormitório' para polo urbano dinâmico
O que hoje se consolida como uma gigante metrópole, com 556 mil habitantes , há poucas décadas era apenas um horizonte dominado por glebas rurais e trilhas de terra batida. Esta metamorfose impressionante é o foco de estudo da mestre em cultura popular, Nilda Simone, que se dedica a resgatar os alicerces do município para salvaguardar a herança local.
Em entrevista ao Diário de Aparecida, a estudiosa relembrou os anos 70, época em que a pavimentação era um benefício raro e o cotidiano seguia o compasso do campo. “A vila era humilde, as vias não tinham calçamento”, recorda Nilda, ao traçar um paralelo com a modernidade atual.
A trajetória de Aparecida não foi formalizada meramente por decretos oficiais, mas edificada pela força de vontade dos desbravadores. Segundo a especialista, a cooperação mútua foi o pilar da fundação, manifestada desde a cessão de terrenos até o esforço braçal na construção das primeiras sedes públicas. Um símbolo dessa era é o Santuário Nossa Senhora Aparecida, a “igrejinha da praça”, que contou com o suor da própria família de Nilda, representada pelo bisavô, Antônio Alves Portes.
“Testemunhei a expansão e as trocas demográficas. Administradores da época ousaram povoar o local mesmo sem suporte pleno”, pontuou Simone. Segundo ela, os novos moradores chegavam movidos por sonhos. Utilizavam a região inicialmente como um pouso enquanto buscavam sustento na próspera Goiânia, o que conferiu ao lugar o rótulo de “cidade dormitório”.
O desenvolvimento seguiu eixos estratégicos: rumo à capital e em direção à comarca de Hidrolândia. Essa convergência de migrantes de diversas regiões do país e do exterior conferiu ao território uma pluralidade única, e alimentou o dito popular de que “Aparecida abriga várias cidades dentro de si”, fator que enriquece a cultura municipal.
Trajetória histórica de desenvolvimento e afirmação econômica
A história de Aparecida de Goiânia é marcada por um fio condutor que une diferentes gerações de gestores: a busca incessante pela emancipação econômica e pela dignidade social. Embora cada administração tenha enfrentado desafios específicos de sua época, desde a falta de infraestrutura básica até às demandas de uma metrópole moderna, o objetivo central sempre foi o mesmo: romper definitivamente com o estigma de “cidade dormitório”.
Para transformar um município onde a população apenas repousava em um lugar onde se vive, trabalha e prospera, os gestores apostaram em duas frentes fundamentais: a geração de emprego e renda e o fomento ao comércio local, por meio de obras de infraestrutura, principalmente viária.
A explosão demográfica ao longo de décadas
De meros 7 mil habitantes na década de 1970 para uma projeção superior a meio milhão de indivíduos, conforme o IBGE, o salto populacional exigiu agilidade na gestão pública. O crescimento acelerado impulsionou a abertura de distritos industriais, centros acadêmicos e complexos de saúde, além de investimentos maciços em segurança.
Atualmente, o ponto de cultura “Café com Arte” atua como sentinela dessas memórias. Para a professora aposentada Nilda Simone, entender o passado de “chão e poeira” é vital para valorizar a força social que o município exerce no coração de Goiás. “Antes éramos prejudicados pela violência, preconceito e falta de entusiasmo por parte da população. Evoluímos, por meio do incentivo à cultura, de políticas públicas voltadas para a segurança, educação e qualidade de vida”, concluiu ao DA a pesquisadora.



