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2026 como alicerce para 2028 em Aparecida de Goiânia

Eleição deste ano funciona como laboratório de forças políticas cujo resultado vai definir o tabuleiro da sucessão municipal

Eduardo Marques

A eleição estadual de outubro de 2026 em Goiás não deve ser lida apenas como uma disputa isolada pelo governo do Estado. Ela funciona como um verdadeiro laboratório de forças políticas cujo resultado vai definir o tabuleiro da sucessão municipal em Aparecida de Goiânia em 2028 — e a razão principal está no entrelaçamento de nomes e parentescos que hoje ocupam o centro do poder em Goiás.

O eixo Daniel–Leandro Vilela

Daniel Vilela (MDB) assumiu o governo de Goiás em março de 2026, na sucessão de Ronaldo Caiado (PSD), e disputa a reeleição com folga nas pesquisas — 45,8% das intenções de voto no primeiro turno, contra 24,9% de Marconi Perillo (PSDB), segundo levantamento da Paraná Pesquisas divulgado nesta terça-feira (18). Esse desempenho não é só um dado eleitoral: é capital político que se propaga para dentro da estrutura municipal de Aparecida de Goiânia, comandada por seu primo, o prefeito Leandro Vilela.

A força dessa aliança fica evidente quando se observa que Gustavo Mendanha, ex-prefeito de Aparecida, foi um dos grandes responsáveis pela eleição de Leandro Vilela no município — ou seja, o “grupo Aparecida” já nasceu como um projeto de continuidade, e não como uma vitória isolada. Se Daniel Vilela consolida o governo estadual em 2026, o fluxo de recursos, obras e visibilidade para Aparecida tende a crescer, fortalecendo a gestão de Leandro justamente no período que antecede sua tentativa de reeleição em 2028.

Gustavo Mendanha e a disputa pelo Senado

O outro pilar dessa engrenagem é Gustavo Mendanha, que decidiu não disputar a vice-governadoria e apostar todas as fichas no Senado. Depois de meses de indefinição entre PSD, Avante e outras siglas, ele oficializou a pré-candidatura ao Senado (hoje  PRD) pela base do governo, em evento em Itumbiara com a presença de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, e teve sua candidatura registrada na Justiça Eleitoral, já constando no sistema DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mendanha construiu sua pré-campanha justamente sobre sua base em Aparecida. Atualmente ele já reúne o apoio declarado de quase 800 vereadores de diferentes regiões do Estado, um capital de articulação municipal que, se convertido em mandato no Senado, devolve a Aparecida uma voz direta em Brasília — algo estrategicamente valioso para qualquer projeto de poder local a médio prazo, inclusive o de 2028.

Vale registrar que a relação entre Leandro e Mendanha não é isenta de cautela: o próprio prefeito de Aparecida optou por não antecipar publicamente seu apoio entre os aliados que disputam o Senado, citando também Vanderlan Cardoso, Gracinha Caiado e Zacharias Calil como nomes que “têm ajudado muito a cidade”. Isso mostra que, apesar do histórico comum, o jogo de 2026 exige equilíbrio entre lealdades — o que também é parte do cálculo para 2028.

Deputados estaduais e federais: a bancada que sustenta o município

Completando esse desenho, a eleição de deputados estaduais e federais alinhados à base governista tem peso direto sobre Aparecida. Uma bancada robusta na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados significa emendas parlamentares, articulação de convênios e prioridade em programas estaduais destinados ao segundo maior colégio eleitoral de Goiás. Cada deputado eleito dentro dessa aliança amplia a capilaridade do grupo dentro do próprio município, fortalecendo redutos eleitorais que, em 2028, poderão ser mobilizados tanto para a reeleição de Leandro Vilela quanto para eventuais movimentos de sucessão.

Por que isso importa para 2028

A lógica é a de um “efeito cascata”: governo estadual forte → prefeitura de Aparecida fortalecida → senador com base na cidade → bancada de deputados amarrada a esse mesmo grupo. Se essa engrenagem funcionar em 2026, Leandro Vilela chegará a 2028 não apenas com o desempenho da própria gestão municipal para mostrar, mas com uma rede de sustentação em três esferas de poder (estadual, federal e no Senado) rara para um prefeito de segundo mandato.

Por outro lado, essa mesma dependência é um risco: qualquer desgaste de Daniel Vilela no governo, uma eventual derrota de Mendanha ao Senado, ou o enfraquecimento da bancada aliada na Assembleia e na Câmara reduziriam justamente o oxigênio político que hoje sustenta a candidatura de Leandro à reeleição. Por isso, 2026 não é só pano de fundo — é, na prática, o teste de estresse da coalizão que pretende governar Aparecida de Goiânia até 2032.

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