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Justiça procura candidato a deputado federal por Goiás

Empresário e autodeclarado arcebispo, Valdiley Abadia da Silva tem mandado de prisão em aberto por falta de pagamento de pensão alimentícia

Eduardo Marques

O candidato a deputado federal por Goiás, Dom Valdiley (Democracia Cristã), está foragido da Justiça desde 2025. Empresário e autodeclarado arcebispo de uma igreja em Goiânia, ele tem um mandado de prisão em aberto expedido pela Vara Criminal de Silvânia por falta de pagamento de pensão alimentícia.

Em 14 de julho, a Justiça renovou o pedido de prisão por 60 dias, após a solicitação anterior, feita em 2025, não ter sido cumprida — o arcebispo não teria sido localizado. O prazo para execução da prisão é válido até 13 de julho de 2027. O valor da dívida não foi revelado no documento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e o processo corre em sigilo no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).

Essa é a primeira eleição que ele disputa. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dom Valdiley não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral e terá limite de gastos de R$ 3.176.572,53 no primeiro turno. Mesmo foragido, ele mantém atividade nas redes sociais, onde promove pré-candidatura com o slogan “Moradia para todos”.

Partido integra a coligação de Marconi Perillo

O Democracia Cristã, sigla de Dom Valdiley, é um dos partidos que compõem a coligação do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo de Goiás em 2026. A aliança de Marconi, batizada “Goiás Pode Muito Mais”, reúne a Federação PSDB-Cidadania, o próprio DC e o PRTB — uma composição enxuta se comparada à do adversário Daniel Vilela (MDB), que reúne dez legendas.

Em julho, o DC lançou oficialmente suas pré-candidaturas a deputado federal e estadual e declarou apoio à candidatura de Marconi ao governo do estado, em ato que reuniu lideranças do partido e apoiadores.

Mandado não impede candidatura

A existência de um mandado de prisão não torna o candidato automaticamente inelegível. No caso das prisões por dívida de pensão alimentícia, a medida tem natureza civil e serve para pressionar o devedor a quitar o débito — não se trata de uma condenação criminal.

Por isso, o mandado, isoladamente, não suspende os direitos políticos nem impede o registro da candidatura. No sistema de divulgação de candidaturas do TSE, os nomes aparecem como “concorrendo”, classificação que não significa aprovação definitiva do registro, já que os pedidos ainda passam por análise da Justiça Eleitoral. A candidatura de Dom Valdiley ainda será analisada pelo tribunal, que pode barrar sua participação no pleito.

Candidatos podem ser presos?

Mesmo com a candidatura registrada, quem possui mandado pendente pode ser preso caso seja localizado, respeitadas as regras eleitorais. A legislação prevê proteção especial nos 15 dias que antecedem o primeiro turno e nas 48 horas seguintes à votação — período em que candidatos não podem ser presos ou detidos, exceto em caso de flagrante delito. Em 2026, o primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.

O Diário de Aparecida não localizou as defesas do partido e do candidato, mas, esclarece que o espaço permanece aberto para manifestações, caso haja interesse.

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