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MP recomenda fim do uso de furadeiras domésticas em cirurgias no hospital municipal de Anápolis

Vigilância sanitária flagrou a prática entre 2022 e 2026 e apreendeu 11 equipamentos considerados de alto risco

Eduardo Marques

O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou à Fundação Universitária Evangélica (Funev) que pare de vez com uma prática no mínimo preocupante. O hospital vinha usando furadeiras e perfuradoras domésticas em cirurgias ortopédicas no Hospital Municipal Alfredo Abrahão (HMAA), em Anápolis. A recomendação, assinada pelo promotor Marcelo de Freitas, da 9ª Promotoria de Justiça, pede a substituição imediata dos equipamentos por furadeiras cirúrgicas apropriadas.

A história vem de longe. Entre 2022 e 2026, inspeções da Vigilância Sanitária de Anápolis (Visa) flagraram repetidas vezes o uso desses instrumentos improvisados no hospital. O relatório mais recente, de fevereiro de 2026, não deixou dúvidas quanto à gravidade do problema. A irregularidade foi classificada como “não conformidade recorrente, reiterada e de alto risco”, e a vigilância determinou que a prática fosse interrompida imediatamente.

Foi esse relatório que deu origem ao inquérito civil do MP. Durante a apuração, a vigilância chegou a apreender 11 perfuradoras usadas nas cirurgias, consideradas de alto risco sanitário. Depois disso, os lacres de apreensão dos equipamentos foram violados, o que agravou ainda mais o caso.

Em conversa com a Promotoria, o diretor executivo da Funev não negou o uso das furadeiras domésticas adaptadas. Segundo ele, a explicação está no custo alto e na manutenção constante que as furadeiras pneumáticas exigem.

Para o MP, porém, não há justificativa que sustente o risco. A recomendação cita uma nota técnica da Anvisa que é bem direta ao ponto. Equipamentos domésticos simplesmente não foram feitos para uso médico, não têm registro sanitário e colocam a saúde dos pacientes em risco. Além disso, ferramentas caseiras não podem ser esterilizadas de forma adequada, o que aumenta bastante a chance de infecções graves.

Agora a bola está com a Funev. A entidade tem três dias úteis para dizer, por escrito, se vai cumprir a recomendação. Depois disso, terá dez dias úteis para apresentar um plano de ação, com prazo máximo de 90 dias para corrigir o problema. Se não responder ou não seguir o que foi determinado, o caso pode parar na Justiça.

Prefeitura afirma que já agia para trocar equipamentos antes de recomendação do MP

Procurada pelo Diário de Aparecida, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “os equipamentos preparados para as cirurgias ortopédicas no Hospital Municipal Alfredo Abrahão sempre foram utilizados pela unidade, inaugurada na gestão passada, quando a operação do Alfredo Abrahão ainda era feita pela organização social João Paulo II”.

O comunicado explicou que ” a atual gestão já vem tomando as providências para que seja feita a adequação antes mesmo da recomendação do Ministério Público. A própria Vigilância Sanitária, que pertence ao município, é responsável pela fiscalização que trouxe à tona a necessidade da troca dos equipamentos, em cumprimento às normas da Anvisa. É preciso considerar ainda que o uso desses equipamentos ocorre também em outros hospitais do País exatamente porque, na compreensão de muitos cirurgiões, o equipamento preparado é mais eficiente e não há registro de prejuízos a pacientes”, concluiu a nota.

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