Cine Cultura exibe de graça “Solange”, filme com seis prêmios
Longa-metragem paranaense passou pela Mostra de Tiradentes e por festival nos Estados Unidos antes de desembarcar em Goiânia

Eduardo Marques
Goiânia recebe, na próxima quarta-feira (9), uma sessão especial e gratuita de “Solange”. O filme paranaense já rodou o Brasil e o mundo, chegando à capital goiana com uma bagagem e tanto. São seis prêmios no currículo, passagens pela Mostra de Tiradentes e até uma exibição no New York African Film Festival, nos Estados Unidos.
A sessão acontece às 19h30, no Cine Cultura, na Praça Cívica. Depois do filme, tem conversa com o diretor Tomás Osten, que assina a obra ao lado de Nathália Tereza. A classificação indicativa é de 14 anos.
O caminho até aqui não foi curto. “Solange” estreou na Mostra Aurora, do Festival de Tiradentes, passou pelo Olhar de Cinema, em Curitiba, e cruzou fronteiras até chegar aos Estados Unidos. Pelo caminho, coletou seis prêmios em três festivais brasileiros, entre eles Melhor Longa-metragem, Melhor Atriz, Melhor Atuação e o Prêmio Especial do Júri.
Uma mulher, algumas caixas, muitas memórias
A história é simples na superfície. Uma mulher volta à cidade natal para buscar algumas caixas com objetos pessoais, deixadas na casa de velhos amigos depois de uma mudança. Mas o que parecia tarefa rápida vira mergulho. Memórias voltam. Afetos também. E situações que pareciam resolvidas mostram que não estavam.
Feito com elenco e equipe majoritariamente paranaenses, o filme não quer só contar a jornada de Solange. Quer que o espectador enxergue a própria história ali também.
“Solange é um retrato, mas também um espelho”, dizem os diretores Nathália Tereza e Tomás Osten. “Buscamos propor sensações, não explicar motivações. O que Solange guardou em suas caixas deixamos para que o público preencha com suas próprias memórias, relações e escolhas.”
O que fica depois da sessão
Se tem uma coisa que se repete em cada exibição de “Solange” é isso. As pessoas se veem no filme. Os debates depois das sessões costumam render relatos de espectadores contando as próprias histórias, inspirados pela experiência da personagem.
“Nos debates, foram recorrentes relatos de espectadores que compartilharam suas próprias histórias a partir da experiência de Solange”, contam os diretores. “Isso mostra que, embora o filme tenha nascido em um contexto muito específico, ele continua despertando reflexões sobre pertencimento, isolamento, reencontros e a maneira como carregamos nossas memórias.”
Cássia Damasceno, que interpreta a protagonista e também assina roteiro e coprodução, concorda. Para ela, a força de Solange está exatamente nessa possibilidade de identificação.
“Acho que o espectador faz esse movimento junto com Solange”, diz a atriz. “Quantas coisas vamos acumulando na vida e deixamos sem resolver? Ela retorna pensando que vai apenas buscar objetos, mas acaba revisitando emoções, fazendo escolhas e reencontrando partes de si mesma. Vejo esse percurso como um movimento de libertação.”
Um filme do Sul chega ao Centro-Oeste
Chegar a Goiânia é um passo importante para “Solange”. O filme sai do eixo sulista onde nasceu e ganha um público novo, num estado bem diferente daquele onde a história se passa.
Para os diretores, cada sessão em uma cidade nova fortalece o vínculo com o público e amplia o alcance da obra. Isso importa ainda mais tratando-se de um filme independente. “Solange” é projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura.



