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Após o feriado, funcionários da Caixa entram em greve em Goiás

Insatisfação com o Saúde Caixa, salários e condições de trabalho leva cerca de dois mil funcionários a cruzar os braços

Eduardo Marques

Se você mora em Goiás e pensa em resolver algo na Caixa Econômica Federal nesta terça-feira (8), talvez seja bom repensar os planos. Assim que o feriado de 7 de setembro passar, os funcionários do banco vão largar o expediente e entrar em greve por tempo indeterminado em todo o estado. A decisão veio depois de os empregados dizerem, em bom tom e em peso, que a proposta oferecida pela instituição para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) simplesmente não convenceu praticamente ninguém.

A votação aconteceu numa assembleia virtual promovida pelo Sindicato dos Bancários de Goiás na quinta-feira (3) anterior, e o resultado não deixou espaço para qualquer dúvida. Quase todo mundo, 96,5% dos participantes, disse não à oferta da Caixa. Só uma fatia bem pequena, algo perto de 3,5%, topou aceitar o que estava na mesa. É um número grande demais para ser ignorado, e mostra que a insatisfação da categoria não é força de expressão. As conversas entre sindicato e banco já vêm se arrastando desde julho, somam mais de dez rodadas e, para completar, a mesma proposta também foi recusada em outros dezesseis estados do país.

E o que mais incomoda os bancários, afinal? Em boa parte, é o Saúde Caixa, o plano de saúde que a instituição oferece aos empregados. As mudanças propostas fariam os próprios beneficiários pagarem uma fatia maior das despesas, e isso não caiu bem. Some a esse imbróglio pautas que já são clássicas em qualquer negociação salarial, como reajuste, Participação nos Lucros e Resultados e condições de trabalho mais dignas, e dá para entender por que a proposta não teve a menor chance.

Sergio Luiz da Costa, presidente do Sindicato dos Bancários do Estado de Goiás, resume bem o espírito do movimento. Para ele, a greve funciona como um recado direto aos bancos, uma forma de pressão para que voltem à mesa dispostos a apresentar algo melhor. Ele garante que o sindicato vai acompanhar de perto cada passo da paralisação e que os bancários não vão ficar sozinhos nessa.

Agora, quem imagina encontrar todas as portas trancadas pode se surpreender. A Associação dos Gestores da Caixa Econômica Federal de Goiás, a Agecef-GO, deixa claro que a ideia não é deixar a população na mão. A intenção é manter um funcionamento mínimo em algumas unidades, mesmo com a categoria mobilizada. Ainda assim, das cerca de 140 agências espalhadas pelo estado, que reúnem por volta de dois mil trabalhadores, boa parte deve mesmo fechar as portas enquanto durar a mobilização.

Já a Caixa preferiu se manifestar por nota. O banco diz manter as portas abertas para o diálogo com as entidades que representam os empregados e afirma seguir empenhado em construir uma saída para a renovação dos acordos coletivos, sempre tentando equilibrar a valorização dos funcionários com a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à população.

Enquanto o impasse não se resolve, quem depende da Caixa no dia a dia precisa se virar de outro jeito. O aplicativo, o internet banking e os caixas eletrônicos continuam funcionando normalmente e são, sem dúvida, a alternativa mais tranquila para quem quer evitar dor de cabeça. Vale a pena, antes de sair de casa, checar se a agência mais próxima está mesmo funcionando, porque a situação pode mudar bastante de bairro para bairro. E essa história não é exclusividade da Caixa. Os funcionários do Banco do Brasil também rejeitaram a proposta da instituição e já marcaram greve própria para a próxima quinta-feira (10), o que deve deixar o atendimento presencial ainda mais concorrido nos bancos públicos de Goiás ao longo dos próximos dias.

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