Eduardo Marques
Foi num podcast, sentado, sem gravata, que o presidente Lula (PT) decidiu falar sobre a crise em torno do Supremo Tribunal Federal (STF). A conversa aconteceu na manhã desta quarta-feira (16), no Desce a Letra. O clima era de bate-papo, quase informal. Mas o presidente não amoleceu o discurso. Ele afirmou que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e André Mendonça à Corte.
Essa é a primeira vez que o petista fala nominalmente dos ministros desde o julgamento na Suprema Corte nesta terça-feira (15) sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes.
Logo de cara, resolveu desfazer um mal-entendido. O presidente Lula lembrou que não foi ele quem colocou Moraes no Supremo. “Eu não era presidente quando o ministro Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte, ele [Flávio] era senador, ele deve ter votado pelo Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça, portanto ele era culpado, e não eu”, afirmou.
A obsessão do adversário
Lula não perdeu tempo. Foi direto na crítica que vem recebendo de Flávio Bolsonaro, que tenta ligar o nome do presidente ao ministro. Para Lula, é bico. A raiva de Flávio, segundo ele, tem outra raiz. “A bronca dele é que o Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro”, afirmou.
E foi além. Citou o caso Marielle Franco, relembrando que Moraes mandou prender o responsável pelo crime. Depois, mudou o tom e falou sobre o Banco Master, outro capítulo que envolve o nome de Flávio. “Ele tem o rabo preso com o banco Master mais do que qualquer outra pessoa”, disparou.
Justiça para todos, sem exceção
Apesar da rispidez com o adversário, Lula fez questão de marcar posição sobre o processo em si. Defendeu investigação ampla, sem escolher lado. “O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa, mas, se a pessoa cometeu um delito, a pessoa tem que pagar o preço”, declarou.
O elogio que ninguém esperava
No meio da entrevista, veio um gesto raro. Lula elogiou Moraes. Falou da atuação do ministro à frente do TSE, em 2022, quando as urnas eletrônicas viraram alvo de ataques. Segundo o presidente, ali Moraes prestou dois grandes serviços à democracia.
“Eu também fui preso por essa Corte”
Por fim, Lula usou a própria história para rebater quem o acusa de comandar o Judiciário. Lembrou os 580 dias que passou preso, antes de ser eleito novamente. Um jeito de dizer que, se o Supremo fosse aliado, isso nunca teria acontecido.



