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Goiânia consolida protagonismo nacional em inteligência artificial

Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG amplia parcerias, enquanto Distrito de Inovação projeta novo polo de negócios, formação de talentos e atração de investimentos

Goiânia conquista espaço na produção de inteligência artificial com projetos de alcance nacional, investimentos milionários e soluções que já beneficiam milhões de brasileiros. A pesquisa universitária impulsiona negócios, gera empregos qualificados e abre novas perspectivas para a economia da capital.

O futuro antes restrito à ficção científica ganha aplicações concretas em laboratórios e empresas locais. Sistemas desenvolvidos na cidade chegam ao mercado, aprimoram serviços e ampliam a competitividade de diferentes setores.

Essa transformação tem como base a atuação da Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), e ganha nova dimensão com o Distrito de Inovação e Inteligência Artificial (DI.IA), iniciativa do governo estadual que pretende aproximar instituições de ensino, pesquisadores e setor produtivo.

Ceia-UFG fortalece aplicações em setores produtivos

Fundado em 2019, o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG (Ceia-UFG) nasceu da colaboração entre universidade, poder público e iniciativa privada. A proposta combina ciência de ponta com aplicações práticas para desafios de empresas e serviços.

Referência latino-americana na área, o centro ajudou a impulsionar o primeiro curso de graduação em inteligência artificial do Brasil. Em pouco mais de seis anos, atraiu mais de R$ 500 milhões em investimentos e contribuiu para gerar cerca de 5 mil empregos. A estrutura reúne centenas de estudantes, mais de 100 projetos e uma rede de parceiros estratégicos.

“O avanço da inteligência artificial não elimina a importância da capacidade humana de imaginar, interpretar contextos e fazer escolhas. Ao contrário: quanto mais as máquinas assumem tarefas, maior é a necessidade de profissionais preparados para orientar seu uso e avaliar seus efeitos”, afirma o professor Anderson Soares.

O alcance ultrapassa as fronteiras de Goiás. Soluções desenvolvidas pelo Ceia-UFG já chegam a mais de 152 milhões de brasileiros, com aplicações em atividades cotidianas.

No setor financeiro, ferramentas automatizam processos e análises. Na comunicação, a inteligência artificial permite criar apresentadores virtuais e personalizar anúncios digitais. Na indústria automotiva, tecnologia desenvolvida em parceria com a Cilia Tecnologia analisa fotografias de veículos, identifica danos e agiliza orçamentos de reparos. O trabalho recebeu reconhecimento da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).

Na gestão pública, as pesquisas incluem sistemas para automatizar procedimentos jurídicos e administrativos, além de apoiar a fiscalização dos gastos. São iniciativas que transformam dados em decisões e serviços mais eficientes.

Um dos responsáveis pela consolidação do centro, Anderson Soares recorda que a meta inicial era captar R$ 50 milhões em cinco anos. Para 2026, a previsão alcança R$ 150 milhões em projetos. “Os projetos em Inteligência Artificial feitos em Goiânia darão frutos por décadas à cidade”, afirma.

A expansão também envolve infraestrutura. O governo estadual anunciou R$ 78 milhões para o Ceia dentro do Pacto Goiás pela Inovação, enquanto a universidade amplia a estrutura de pesquisa. A estratégia busca integrar formação profissional, investigação científica e demandas do mercado.

DI.IA projeta novo eixo de desenvolvimento no Setor Universitário

Lançado em junho de 2026, o Distrito de Inovação e Inteligência Artificial (DI.IA) prevê investimentos superiores a R$ 300 milhões em uma área de 91 hectares no Setor Universitário. Ainda em fase inicial, o empreendimento pretende reunir empresas de tecnologia, centros de pesquisa, instituições de ensino e iniciativas de empreendedorismo.

O projeto inclui uma unidade do Ceia na área do antigo Colégio Colu, a ampliação do Hub Goiás, um centro de excelência em empreendedorismo inovador e espaços destinados a negócios tecnológicos. UFG e PUC Goiás figuram entre as parceiras estratégicas.

O governador Daniel Vilela identifica uma oportunidade de expansão econômica. “Agora, temos uma grande janela de oportunidade para consolidar o Estado e Goiânia como o hub de inteligência artificial do Brasil e da América Latina”, afirma. A proposta é transformar a capital em produtora de soluções capazes de competir em outros mercados, além de consumidora de tecnologia.

Modernização administrativa

Na gestão Sandro Mabel, a transformação digital também integra a modernização dos serviços públicos. Ao sancionar parcialmente a Lei Goiânia Smart City (Lei Ordinária nº 11.531, de 19/11/2025), que estabelece diretrizes para o uso de inteligência artificial na administração municipal, o prefeito afirmou que a iniciativa corresponde à proposta de tornar Goiânia uma cidade inteligente e inovadora.

Luciana Brites

 

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