Após duas décadas de espera, Dianot sai do papel
Área da antiga colônia penal recebe infraestrutura moderna para abrigar complexo logístico e ampliar o PIB municipal


A criação do Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira (Dianot), em Aparecida de Goiânia, representa a concretização de um projeto aguardado há cerca de 20 anos pelo setor produtivo e pela população e que, por muito tempo, foi cercado por incertezas e dificuldades.
Ao longo desse período, a implantação de um polo industrial na área chegou a ser considerada inviável diante de entraves jurídicos, administrativos e estruturais que impediram o avanço da proposta. Durante anos, o terreno permaneceu associado à presença da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto e a iniciativas que não saíram do papel.
Mesmo assim, a demanda por novos espaços produtivos crescia à medida que Aparecida de Goiânia ampliava sua participação no cenário econômico estadual e buscava alternativas para atrair investimentos e gerar empregos. A saturação de polos antigos, como o Daiag, pressionava as autoridades por uma solução que suportasse o vigoroso crescimento do PIB municipal.
A mudança começou a se concretizar com a decisão do Governo de Goiás de transformar o espaço em um ambiente voltado à instalação de indústrias e ao fortalecimento da economia regional. Este movimento estratégico não apenas resolveu um antigo problema de segurança pública, com a desocupação da colônia penal, mas também devolveu ao estado uma área de altíssimo valor logístico, situada às margens de eixos rodoviários fundamentais para o escoamento de produção.
Liberação do terreno deu espaço às primeiras análises técnicas
Um dos primeiros passos foi concretizado com a transferência das estruturas do sistema prisional, a regularização fundiária e a incorporação do terreno ao patrimônio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) abriram caminho para a execução do projeto e para o início das obras de infraestrutura do Dianot. O esforço envolveu uma força-tarefa multidisciplinar para garantir que cada metro quadrado do novo distrito estivesse livre de pendências que, no passado, afastavam o capital privado.
A partir da liberação do terreno, o projeto ganhou ritmo com a elaboração dos estudos técnicos, a definição do modelo de implantação e o avanço das intervenções estruturais. As obras incluem sistemas modernos de drenagem, pavimentação dimensionada para tráfego pesado e redes de energia de alta capacidade, preparando o Dianot para receber indústrias de diversos portes, desde a agroindústria até o setor de tecnologia e logística.
A atuação conjunta entre governo estadual, Codego e Prefeitura de Aparecida foi decisiva para viabilizar as etapas necessárias e garantir segurança jurídica para empresários interessados na instalação de novas unidades produtivas. Esse alinhamento institucional permitiu que o Dianot nascesse sob um conceito de “condomínio industrial moderno”, onde a eficiência operacional é prioridade.
Com as obras em andamento e empresas em processo de instalação no local, o Dianot passa a representar um novo capítulo na política industrial goiana. A estimativa é que o novo polo gere milhares de empregos diretos e indiretos, transformando o perfil socioeconômico das regiões vizinhas e consolidando Aparecida de Goiânia como o maior hub industrial do Centro-Oeste brasileiro. Após duas décadas de espera, o projeto deixa de ser apenas uma expectativa e passa a se consolidar como realidade.
LINHA DO TEMPO — DEMANDA HISTÓRICA AO DIANOT
1989
Inauguração do Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (Daiag), que teve rápida ocupação e consolidou o município como polo industrial.
Anos seguintes
Crescimento econômico de Aparecida amplia a demanda por novas áreas industriais; setor produtivo passa a defender a criação de um novo distrito
2016
Anúncio do projeto do Complexo Industrial Metropolitano (CIM), com investimento privado estimado em cerca de R$ 180 milhões
2016–2022
Projeto não avança e área permanece sem utilização industrial, reforçando a necessidade de uma solução definitiva
2023
Abril
Governo de Goiás firma Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP-GO para transferência do regime semiaberto, na área destinada à criação do novo distrito industrial.
Maio
Área é incorporada à Codego e projeto do Dianot é estruturado, com foco em um polo moderno, planejado e regularizado.
2024
Início das obras de infraestrutura do Distrito Agroindustrial Norberto Teixeira.
2025
Lançamento do edital de seleção de empresas.
Mais de 100 empresas demonstram interesse no novo polo.
2026
Início da instalação das primeiras indústrias e entrega do Dianot.
DIANOT: GESTÃO E VIABILIDADE



