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Bruno Gagliasso destaca legado de Honestino Guimarães em estreia de filme

Sessão especial de lançamento aconteceu na noite desta quinta-feira no cinema Aurum, localizado no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia

Eduardo Marques

O ator Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino Guimarães no documentário híbrido sobre o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), destacou o legado e a dificuldade de representar a trajetória do líder estudantil, assassinado em 1973, aos 26 anos. Segundo o ator, o desafio foi ainda maior devido à escassez de registros físicos e audiovisuais sobre Honestino. De acordo com ele, a construção da interpretação exigiu reproduzir acontecimentos que não foram amplamente documentados e, ao mesmo tempo, lidar com elementos que já fazem parte do imaginário coletivo sobre o militante.

“A construção desta obra foi um desafio singular, marcado pela responsabilidade de registrar e documentar uma história reflexiva à qual poucos tiveram acesso. Ao tentar reproduzir fatos que não foram amplamente divulgados, mesclando-os com elementos que compõem o imaginário coletivo, deparei-me com a dificuldade de representar uma figura sem registros físicos ou audiovisuais de seus movimentos”, afirmou em coletiva de imprensa.

A declaração foi feita aos jornalistas durante a sessão especial de lançamento do longa-metragem “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. O evento aconteceu na noite desta quinta-feira (13) no cinema Aurum, localizado no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, que contou com a cobertura do Diário de Aparecida. Misturando documentário e ficção, a obra reúne reconstruções históricas, depoimentos e interpretações que resgatam a memória de um personagem que se tornou símbolo da luta pela democracia e pelos direitos humanos no país.

Gagliasso complementa que o maior desafio da produção acabou se tornando também um dos aspectos mais gratificantes: recuperar uma verdade que, segundo ele, foi alvo de tentativas de apagamento. “Embora não existam registros da trajetória de Honestino, seu espírito permanece vivo em todos aqueles que acreditam na justiça, na verdade e na democracia”, revelou.

Para o ator, embora os registros da trajetória de Honestino sejam escassos, o espírito do militante permanece presente entre pessoas que defendem valores como justiça, verdade e democracia.

Ex-esposa de Honestino se emociona com interpretação

Bruno Gagliasso relata ainda um momento marcante após a exibição do filme para a ex-esposa de Honestino. Emocionada, ela teria observado semelhanças entre a interpretação do ator e o comportamento de Honestino, especialmente no olhar e na postura, e questionado onde Gagliasso havia encontrado referências para construir o personagem.

O ator afirma que a interpretação não foi baseada em uma simples imitação. Para ele, a construção do personagem surgiu de uma identificação profunda com o ideal defendido por Honestino e com a ideia de que é possível transformar a sociedade.

“Respondi que não se tratava de uma imitação, mas de algo que emergiu de dentro de mim. Acredito que incorporei o ideal de que é possível transformar o mundo, um princípio que norteou toda a minha atuação”.

Democracia abalada

Mais do que apresentar uma reconstrução histórica, o diretor Aurélio afirma que o objetivo do filme é conversar diretamente com os jovens de hoje. Segundo ele, a produção não foi pensada como uma obra “arqueológica” ou “museológica”, limitada à reunião de fotografias antigas, jornais e documentos.

A decisão de contar a história de Honestino ganhou força diante do que o diretor considera um enfraquecimento da memória sobre a ditadura militar. Ele menciona movimentos que defenderam a volta do regime, do AI-5 e de uma intervenção militar, além dos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de pessoas invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Nesse contexto, Aurélio considera necessário relembrar os 21 anos de ditadura e episódios de violência política, como assassinatos, sequestros e desaparecimentos. Para ele, contar a história de Honestino é uma maneira de fazer com que as novas gerações compreendam o que ocorreu no país e reflitam sobre a importância da democracia.

“A motivação para realizar o filme surgiu também da preocupação com o crescimento de movimentos que defendiam a volta da ditadura militar, do AI-5 e de uma intervenção militar, além da perda de direitos democráticos. Fico surpreso diante desse fenômeno. Parece que o Brasil se esqueceu dos efeitos dos 21 anos de ditadura”, arrematou.

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