Eduardo Marques
Foi um 7 de Setembro diferente. Lula (PT) desfilou nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao lado dos chefes do Senado e do Supremo, justamente quando a Corte vive um dos momentos mais tensos dos últimos tempos.
O presidente chegou acompanhado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSD) e da vice-primeira-dama Lu Alckmin. Na tribuna, três figuras que raramente dividem o mesmo espaço: o presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
O momento não podia ser mais simbólico. Há menos de uma semana, Alexandre de Moraes e André Mendonça trocaram farpas públicas sobre a condução das investigações do Banco Master, e coube a Fachin assumir a análise do imbróglio.
Mesmo com o convite de praxe estendido a todo o STF, muita gente ficou de fora. Moraes, que tinha marcado presença em 2024, não apareceu desta vez. Gilmar Mendes e Flávio Dino estavam fora de Brasília, e Cristiano Zanin também não foi ao evento.
Justamente por isso, a presença de Fachin ganhou peso. No ano passado, nenhum ministro do Supremo tinha ido às comemorações, porque o desfile coincidiu com o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já em 2024, a cena era outra, com seis ministros na tribuna, incluindo o então presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, além de Moraes, Fachin, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Zanin. Em 2023, no primeiro 7 de Setembro do terceiro mandato de Lula, quem esteve lá representando o Supremo foi a então presidente Rosa Weber.
Na plateia, o clima fugiu do protocolo. Parte do público cantou “olê, olá, Lula” e engrossou o coro pelo fim da escala de trabalho 6×1. Em outros momentos, também se ouviram gritos de “sem anistia”.
No discurso da véspera, Lula puxou o tom de defesa nacional. Disse que o Brasil precisa se manter forte e altivo, sem baixar a cabeça, para não correr o risco de voltar a ser colônia de potências estrangeiras, e reforçou que o país não é, e não será, colônia de ninguém.
O desfile terminou com força total. Tropas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica passaram pela Esplanada, e a Esquadrilha da Fumaça fechou a manhã cortando o céu de Brasília.



