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Capitã Waleska propõe abrigo em hotéis e gabinete itinerante para amparar vítimas de violência

“A mulher não tem que bater em 10 portas para ser atendida”, diz candidata a deputada estadual ao defender rede integrada de proteção em Goiás

Eduardo Marques

Candidata a deputada estadual, a Capitã Waleska (PSDB) quer criar uma rede de acolhimento para mulheres vítimas de violência, com parcerias entre o Estado, hotéis e casas de abrigo em Goiás. Ela também propõe um gabinete itinerante para ouvir moradoras das periferias e do interior e empresas, com canais de escuta sigilosa para funcionárias agredidas. Waleska apresentou as ideias na tarde desta quarta-feira (23), ao visitar a nova sede do Diário de Aparecida, no Residencial Solar Garden II, em Aparecida de Goiânia.

Para a capitã, a maior falha do sistema é a revitimização, quando a mulher precisa repetir a própria história a cada porta em que bate e revive o trauma diante de quem, muitas vezes, ainda pergunta o que ela fez para ser agredida. Por isso, defende que a base de todas as propostas seja uma rede de proteção que funcione de verdade, com Judiciário, Polícia Militar, Polícia Civil, Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e Instituto Médico Legal (IML) integrados, para que a vítima conte sua história uma única vez.

“A mulher não tem que bater em dez portas para ser atendida”, resume. Em seguida, vem a autonomia, com inclusão no mercado de trabalho, cursos de capacitação, alfabetização e vagas escolares para os filhos. A capitã quer ainda criar um serviço de entrega de cestas básicas para que as forças de segurança levem comida às famílias atendidas em ocorrências, sem a burocracia atual.

Policial militar há 25 anos, bacharela em Direito, especialista em Enfrentamento à Violência Contra Mulheres e Meninas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), casada com um tenente da corporação e mãe de dois filhos, a Capitã Waleska diz que o combate à violência doméstica é o principal motivo de sua candidatura. Segundo ela, a decisão de disputar um cargo público eletivo nasceu dentro das casas onde atendeu mulheres vítimas de agressão e viu, de perto, os efeitos desse ciclo sobre toda a família.

A experiência mais marcante veio da Patrulha Maria da Penha, que Waleska ajudou a estruturar em Aparecida de Goiânia. Ela conta que nunca se contentou em registrar a ocorrência e ir embora. Entrava nas casas e encontrava mulheres que, presas à violência, tinham deixado o trabalho e os estudos e viviam com os filhos sem alimento em casa. “E eu com a viatura lá, o que eu vou fazer? Vou embora, deixar aquela mulher com filhos sem alimento?”, questiona. Foi assim que surgiram os aniversários solidários, as campanhas na internet e as vaquinhas entre colegas para reestruturar famílias que não tinham sequer geladeira ou fogão.

Waleska diz que ainda recebe denúncias de violência doméstica e busca encaminhá-las aos órgãos competentes. A candidata conta que foi afastada da patrulha depois de contestar práticas da instituição e classifica o episódio como perseguição política.

No entanto, o trabalho que ela desenvolveu em Aparecida de Goiânia foi reconhecido. Em dezembro de 2023, a Câmara Municipal concedeu à capitã o título de Cidadã Aparecidense, uma homenagem que ela carrega com responsabilidade. A cidade também tem peso afetivo, já que foi aqui que começou a vida com o marido. Hoje, mora em Senador Canedo com a família, por uma questão financeira, mas mantém o vínculo com o município. “Tenho um carinho imenso por Aparecida”, diz.

Conscientização nas escolas e apoio psicológico à tropa integram plano

Para a candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), prevenir também é parte do combate à violência. Por isso, a Capitã Waleska defende levar às escolas estaduais a conscientização sobre o enfrentamento às agressões contra mulheres, crianças e adolescentes. Para Aparecida, propõe fortalecer o atendimento à infância e à juventude e os conselhos tutelares. A segurança pública entra na mesma luta, com um plano de assistência à saúde mental dos policiais, que garanta sigilo, além de salário digno e reposição da data-base. O argumento é que uma tropa valorizada e bem cuidada atende melhor às vítimas.

Candidata prestigia jornal | Foto: Brunno Moreira

Para a Capitã Waleska, a resposta do Estado à violência contra a mulher ainda é insuficiente. Ela cita dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério das Mulheres que apontam aumento de 113,6% nos casos de feminicídio em Goiás no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, e rebate quem trata o tema como exagero. “Não é conversa de mimimi”, afirma. Como exemplo, critica o aluguel social de 300 reais, que, na avaliação dela, não basta para uma mulher sem estudo, sem qualificação e com vários filhos que decide sair de casa.

Apoio a Flávio vem com ressalva; Marconi é aposta para comandar Goiás

Ao governo de Goiás, Capitã Waleska declara apoio a Marconi Perillo (PSDB), que, segundo ela, assinou compromissos com a segurança pública e prometeu programas como o PIX Moradia e o PIX Reforma.

Para a Presidência da República, apoia Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro e em eventual segundo turno. Ela ressalva que a escolha não a torna de extrema direita e diz enxergar nele alguém capaz de pôr um freio no que vem acontecendo no país, sem considerá-lo necessariamente o melhor candidato.

Para deputado federal, a candidata indica Felipe Cecílio (PSDB). Ao Senado, seu primeiro voto vai para Iure de Castro, servidor da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás e também de oposição (Cidadania) ao atual governo, e o segundo para Ernesto Roller (PSDB).

 

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