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Dino manda PF investigar suspeita de interferência estrangeira nas eleições

Ministro quer saber quem fez a suposta oferta de terras raras, a quem ela foi dirigida e o que se prometeu em troca

Eduardo Marques

A Polícia Federal (PF) terá de investigar se houve interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A ordem partiu do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão desta terça-feira (27). O foco principal é o possível financiamento oculto de campanha por meio de atores de fora do país.

O pedido foi feito pelo PT dentro de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) aberta pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Nessa ação, Dino já havia tratado de soberania nacional e da validade de ordens judiciais e leis estrangeiras em território brasileiro. Desta vez, o ministro entendeu que os fatos novos não cabem no processo e precisam de investigações específicas, acompanhadas pelo Supremo.

Para justificar a decisão, Dino lembrou um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em relatório anterior às eleições sobre os desafios de 2026, o órgão já havia identificado um forte incentivo para que atores externos com interesses no Brasil tentassem influenciar o resultado.

Captação de recursos nos Estados Unidos

A suspeita mais grave citada na decisão envolve os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang. Eles teriam agido em nome da empresa Rockbridge Network para levantar dinheiro, em solo americano, para a campanha de Flávio Bolsonaro.

Anúncios pagos por perfis estrangeiros

Dino também se baseou em material apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo candidato Renan Santos (Missão). Segundo a representação, perfis sediados no exterior pagaram para divulgar conteúdos sobre a eleição presidencial, entre eles dados favoráveis à vitória de Flávio Bolsonaro na plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil desde 2024.

A representação aponta um padrão. Em suas palavras, os perfis estrangeiros fazem postagens pagas “de forma reiterada”, quase sempre em português e voltadas ao público brasileiro.

Terras raras como moeda de troca

Há ainda a acusação de que a exploração de terras raras no Brasil teria sido oferecida em troca de interferência eleitoral. O ministro disse ser preciso esclarecer o “possível vínculo” entre apoio eleitoral e o interesse econômico de agentes estrangeiros nesses minerais.

Ele lembrou que os recursos minerais pertencem à União e só podem ser explorados mediante autorização ou concessão em nome do interesse nacional. Por isso, quer saber quem fez a proposta, a quem ela foi endereçada, por qual meio e qual seria a contrapartida.

Big techs também sob análise

A decisão menciona a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp. O Comitê de Supervisão da empresa divulgou em 22 de outubro um relatório que aponta falhas na proteção da integridade eleitoral.

Dino citou também o comunicado de 21 de outubro de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que acompanharam a votação. Eles relataram interrupções temporárias na conta de campanha de um candidato, diferenças de engajamento e de alcance, restrições a postagens no Instagram e disparidades entre os principais partidos na geração de imagens por inteligência artificial, nos resultados de busca em canais do WhatsApp e nos Stories. Também apontaram uma distribuição de conteúdo político que poderia favorecer a campanha adversária.

Cinco frentes de investigação

A PF deverá apurar a natureza das conversas entre a Rockbridge Network e os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang, inclusive se houve ligação entre dinheiro, serviços ou outras vantagens e a campanha. Também terá de descobrir quem pagou pelos anúncios atribuídos a perfis estrangeiros, de onde veio o dinheiro e se pessoas ou entidades no Brasil participaram de forma consciente.

Outra frente busca elementos concretos que conectem as tratativas sobre financiamento aos interesses em terras raras e minerais críticos. A quarta trata dos contatos entre a Rockbridge e empresários brasileiros, com foco em participantes e finalidade. A última avalia se empresas de internet promoveram assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas para favorecer ou prejudicar candidaturas.

Por ora, tudo está na fase de apuração. Os citados aparecem como alvos de suspeitas descritas na decisão, sem condenação ou acusação formal.

O que diz a Meta

Ao g1, a Meta negou ter favorecido qualquer candidatura. Em nota, a empresa afirmou que não toma partido em eleições e atribuiu os problemas relatados a incidentes técnicos.

A companhia também informou que uma falha em suas proteções permitiu que a ferramenta de inteligência artificial gerasse materiais de campanha favoráveis a Flávio Bolsonaro.

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