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Aparecida de Goiânia simplifica licenciamento de obras e aposta na autodeclaração

Decreto assinado pelo prefeito Leandro Vilela dispensa análise prévia de projetos para habitações unifamiliares de baixo risco

Eduardo Marques

Construir em Aparecida de Goiânia deve ficar mais rápido a partir de agora. O prefeito Leandro Vilela (MDB) assinou, na manhã desta segunda-feira (31), um decreto que muda a forma como o município licencia habitações unifamiliares de baixo risco. Na prática, quem quiser erguer uma casa não vai mais precisar esperar a análise prévia dos parâmetros urbanísticos do projeto pela Prefeitura — poderá recorrer à autodeclaração, feita diretamente pelo sistema eletrônico da administração municipal.

A assinatura aconteceu no Espaço Multiuso da Cidade Administrativa Maguito Vilela, com a presença dos vereadores Almeidinha (MDB) e Olair Silva (PRD), além de secretários, servidores e representantes da construção civil. O novo modelo vale tanto para o Alvará de Construção quanto para a Certidão de Conclusão de Obras (CCO), o já conhecido habite-se.

Pela nova regra, basta apresentar toda a documentação exigida e garantir que a obra esteja de acordo com a legislação para que o processo avance sem passar pelas etapas de análise que hoje costumam travar os pedidos. A responsabilidade pelas informações declaradas passa a ser do proprietário e do responsável técnico — engenheiro ou arquiteto envolvido no projeto.

“Estamos trazendo a autodeclaração para dar mais confiança ao investidor, garantias jurídicas e um ambiente favorável para desenvolver e empreender”, afirmou Leandro Vilela durante a cerimônia. Segundo o prefeito, a demora dos processos até então se explicava justamente pelo excesso de etapas de análise e correção. “Agora, estamos invertendo essa lógica para dar mais agilidade, confiando no cidadão e nos profissionais, sem abrir mão da legalidade e da fiscalização”, completou.

Apesar da simplificação, Vilela fez questão de reforçar que o controle sobre as obras não desaparece. “O decreto estabelece todas as regras necessárias e haverá fiscalização por amostragem. Queremos garantir que a cidade cresça dentro da legalidade e com segurança”, disse.

Um volume expressivo de pedidos

Quem também comemorou a mudança foi o secretário municipal de Planejamento e Regulação Urbana, Andrey Azeredo. Segundo ele, o novo modelo poderá ser aplicado a habitações unifamiliares de qualquer tamanho e deve responder por cerca de 80% de toda a demanda recebida pela secretaria — um volume que, até então, sobrecarregava a análise técnica do município.

“Estamos falando de um volume muito significativo. Queremos simplificar e agilizar a emissão desses documentos, permitindo que novos empreendimentos sejam realizados e que o dinamismo econômico da cidade continue crescendo, com geração de emprego e benefícios para toda a população”, destacou Azeredo.

Para solicitar o Alvará de Construção Simplificado Autodeclaratório, o interessado precisa reunir uma série de documentos: identificação do proprietário e do responsável técnico, certidão atualizada do imóvel, Certidão de Uso do Solo, projeto arquitetônico digital, Anotação ou Registro de Responsabilidade Técnica, Declaração de Responsabilidade de Projeto, Certidão Negativa de Débitos Municipal e o comprovante de pagamento das taxas. Conferida a documentação, o licenciamento é emitido diretamente pelo sistema eletrônico.

Habite-se sem vistoria prévia

A lógica da autodeclaração também chega à Certidão de Conclusão de Obras. Para as construções licenciadas pela nova modalidade, o documento poderá ser emitido sem que um fiscal precise visitar o imóvel antes.

Em vez da vistoria, o proprietário e o responsável técnico deverão assinar uma Declaração de Conclusão de Obra, acompanhada de um memorial fotográfico que comprove a regularidade da edificação e da Certidão de Resíduos Sólidos. As fotos precisam mostrar itens como ambientes internos, fachada, endereço, calçadas, áreas permeáveis e sistemas de infiltração de águas pluviais.

“A demanda por investimentos na cidade tem crescido e precisamos acompanhar esse desenvolvimento com serviços públicos mais eficientes. Estando toda a documentação correta, o processo terá uma tramitação muito mais célere”, explicou o secretário.

Fiscalização não some do radar

Mesmo com menos burocracia na largada, o decreto preserva mecanismos para evitar abusos. Pelo menos 20% dos alvarás e CCOs emitidos mensalmente pela via autodeclaratória passarão por auditoria fiscal, escolhidos por sorteio ou por critérios de risco. Essas auditorias podem ser documentais ou presenciais e vão checar itens como áreas construídas, recuos, taxa de ocupação, altura da edificação, áreas permeáveis, sistemas de infiltração, alinhamento predial, calçadas e acessibilidade.

Quem for flagrado com irregularidades ou informações falsas estará sujeito a punições previstas em lei — que vão de multas à anulação do alvará ou da CCO, passando pela suspensão do cadastro municipal do profissional responsável e comunicação ao CREA ou ao CAU. Em casos que envolvam indícios de ilícitos, o processo também pode ser encaminhado ao Ministério Público.

Parte de uma transformação maior

Para o prefeito, a medida se encaixa em um movimento mais amplo de digitalização dos serviços públicos, que já vem migrando processos antes só realizados presencialmente para a plataforma Aparecida Digital.

“Nós precisamos construir mais, estimular mais e facilitar mais. Aparecida ainda possui muitos vazios urbanos e precisamos criar condições para que a cidade cresça de forma planejada. Quanto mais fomentamos a construção civil, mais empregos, receitas e oportunidades são gerados”, afirmou Vilela, que também chamou atenção para a responsabilidade ambiental na destinação de resíduos das obras.

Segundo Andrey Azeredo, esse é apenas o primeiro passo de um processo que deve continuar. A Prefeitura já estuda novas etapas de simplificação, voltadas principalmente a empreendimentos de menor porte. “Este é um primeiro momento. Na sequência, queremos ampliar a simplificação, especialmente para pequenos empreendimentos, sempre com responsabilidade, segurança jurídica e respeito à legislação”, concluiu o secretário.

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