Eduardo Marques
O deputado estadual eleito por Goiás Dr. Amarildo (Novo), apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e opositor ferrenho do governo Lula (PT), condenou a ideia de que patrões demitam funcionários por terem votado no PT ou no presidente reeleito. Em entrevista à Rádio Difusora, nesta quarta-feira (28), ao apresentador Jordevá Rosa, ele classificou a prática como “um absurdo” e disse discordar “completamente”.
A conversa partiu de um movimento que vem ganhando espaço no país. Influenciadores e políticos, entre eles a deputada estadual Índia Armelau (PL), do Rio de Janeiro, incentivam empregadores a dispensar trabalhadores que declararam voto na esquerda. Questionado sobre o tema, o parlamentar reconheceu o clima de insatisfação entre apoiadores da oposição, mas separou a frustração política da atitude que considera inaceitável.
Ele afirmou que a reeleição de Lula abala a autoestima de muitos brasileiros que trabalham, produzem e geram empregos. Ainda assim, repetiu que esse “não é o caminho, de maneira nenhuma”. E acrescentou que jamais defenderia uma atitude criminosa. Para ele, o momento exige “buscar a pacificação para discutir pautas importantes para o país”.
Liberdade de escolha e exposição pública
Jordevá Rosa lembrou o argumento de um ouvinte, segundo o qual o patrão tem o direito de escolher com quem trabalha. O apresentador ponderou que a questão central é outra, já que o debate envolve demitir quem já está empregado por causa de seu voto.
O Dr. Amarildo concordou que o empregador tem liberdade para escolher seus funcionários, mas traçou um limite. Segundo ele, a partir do momento em que a decisão de demitir por motivo político se torna pública, “isso não faz o menor sentido”. Na avaliação do deputado eleito, anunciar que vai demitir todos os que votaram no PT não é razoável e não contribui para o debate nacional.
Ao final, ele reforçou o próprio posicionamento para evitar confusões. “Sou um opositor ferrenho ao governo Lula e às pautas da esquerda, mas não concordo com esse tipo de atitude”, declarou.



