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Metade das denúncias de assédio eleitoral do ano em Goiás foi registrada em apenas três dias

Publicações nas redes sociais que incentivam demissões estão por trás do aumento das denúncias

Eduardo Marques

Em três dias, o Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) recebeu praticamente metade de todas as denúncias de assédio eleitoral do ano. Entre segunda-feira (26) e as 17h40 desta quarta-feira (28), foram 43 queixas, o equivalente a 50,58% das 85 registradas no Estado ao longo de 2026. Os números fazem parte de um levantamento do Diário de Aparecida, feito com informações do próprio órgão.

De acordo com o MPT-GO, o aumento tem relação com publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir empregados que votaram em determinado candidato. Na prática, uma escolha pessoal, protegida por lei, passa a ser tratada por alguns como motivo de castigo no ambiente de trabalho.

O órgão lembra que o assédio eleitoral vai além da demissão. Ameaças de desligamento, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação por causa do voto também podem configurar a conduta e ser investigadas.

“O empresário não é dono do voto do seu empregado”

Para o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, a liberdade política precisa valer também dentro das empresas. “O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado”, declarou.

Segundo ele, demitir alguém por convicção política é ilegal, e o MPT vai levar esses casos à Justiça do Trabalho. O procurador garantiu que a instituição acompanha as denúncias e promete atuar com firmeza na apuração.

Como denunciar em Goiás

Quem se sentir alvo desse tipo de conduta no estado pode procurar o MPT-GO pelo site www.prt18.mpt.mp.br. É possível pedir sigilo da identidade ou até denunciar de forma anônima.

O órgão recomenda anexar provas, como vídeos, capturas de tela e áudios. Esses registros ajudam o procurador do Trabalho a fundamentar a atuação.

O cenário no Brasil

O problema também preocupa em todo o país. O Ministério Público do Trabalho recebeu 941 denúncias de assédio eleitoral desde o encerramento do segundo turno. O número, atualizado até as 14h30 desta quarta-feira, corresponde a 32,7% das 2.878 denúncias registradas pelo órgão em todo o ano.

Os dados mostram a trajetória dos registros ao longo da campanha. Até o fim do primeiro turno, em 4 de outubro, o MPT havia recebido 991 denúncias. Entre o primeiro e o segundo turno, chegaram outras 946, o que levou o total a 1.937 até o encerramento da votação, em 25 de outubro.

Somadas às 941 registradas desde então, chega-se às 2.878 denúncias do ano. Em outras palavras, quase um terço de tudo o que o órgão recebeu em 2026 veio depois que a eleição terminou.

O MPT esclarece que os números se referem aos períodos de recebimento das denúncias, e não exclusivamente aos dias de votação. Isso significa que os registros podem tratar de situações ocorridas em momentos diferentes e só levadas ao órgão nesses intervalos.

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