Eduardo Marques
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse nesta quinta-feira (29) que não gostou da carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro, do mesmo partido, na quarta (28). No texto, Flávio, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições, não reconhece o resultado e se apresenta como “líder do Brasil”.
“Ninguém aprovou a carta”, afirmou o dirigente a jornalistas. Valdemar declarou que a legenda quer “tocar o país para frente” e contou que o senador também não avisou o pai de que deixaria o país. Segundo ele, nem Jair Bolsonaro sabia da viagem.
As declarações foram dadas após uma visita a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tramar um golpe de Estado.
A carta e a viagem
Flávio publicou o texto nas redes sociais depois de desembarcar nos Estados Unidos com a família, mesmo com uma decisão do STF que o proibia de deixar o país. A primeira versão chamava o senador de “verdadeiro presidente do Brasil” e de “presidente eleito”. Ele apagou a postagem e publicou outra, com “líder do Brasil” e “líder” no lugar dessas expressões.
A mudança foi só de vocabulário. Os trechos em que Flávio não reconhece o resultado e diz que a eleição foi roubada continuaram na nova versão. Ele não apresentou provas.
Contradição com o próprio partido
As acusações vão na contramão da postura do PL, que reconheceu o resultado das urnas e pediu esclarecimentos à Justiça. Também contrariam a confirmação da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A reação foi além do partido. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que o senador deve respeitar o resultado e seguir em frente. União Brasil, PSD, PSDB e MDB também repudiaram a carta e defenderam a lisura da votação.
Bastidores
De acordo com o blog do Valdo Cruz, no g1, Valdemar pretende avaliar com Bolsonaro a péssima repercussão da viagem e da carta. O dirigente teme que o PL perca força no momento em que o partido saiu fortalecido das eleições.
O blog aponta ainda que a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) poderia ocupar o espaço de líder do bolsonarismo, algo que os enteados dela não desejam.



