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Dubai do futuro: Goiânia mira mercado global com sofisticação, lazer e novos investimentos

Capital terá piscina de ondas artificiais para surfe, enquanto projetos de uso misto, residências de alto padrão e infraestrutura turística diversificam a economia e atraem capital privado

Aos 93 anos, a paisagem de Goiânia ganha novos contornos, com edifícios cada vez mais altos, residências de luxo e projetos que aproximam moradia, entretenimento, gastronomia e hotelaria. É nesse cenário que surge a comparação com Dubai, metrópole dos Emirados Árabes Unidos, conhecida mundialmente pela arquitetura monumental e pelos investimentos em turismo.

A analogia ganha força com a verticalização e a ambição de criar experiências de lazer capazes de atrair visitantes e investidores. Mais do que uma promessa, porém, essa projeção depende de obras, infraestrutura e resultados concretos.

Um dos projetos mais emblemáticos é o complexo anunciado pela Flamboyant Urbanismo para a região da GO-020, em frente ao Autódromo Internacional Ayrton Senna. A proposta reúne praia artificial com piscina de ondas para surfe, hotéis, restaurantes, residências e supermercado integrado, em um empreendimento de uso misto. A empresa apresenta a iniciativa como o maior complexo de surfe do mundo, com projeto arquitetônico associado ao escritório britânico Foster + Partners e tecnologia de ondas da espanhola Wavegarden.

O lançamento comercial deve acontecer no primeiro semestre de 2027, com previsão de inauguração no segundo semestre de 2029 e investimento superior a R$ 1,5 bilhão.

O coração do complexo esportivo e de lazer será uma praia artificial de alto padrão com tecnologia da espanhola Wavegarden. O sistema é referência mundial em simuladores de alta performance, capaz de gerar cerca de mil ondas perfeitas por hora. O equipamento cria movimentos constantes e customizáveis, com diferentes níveis de dificuldade, para atender desde surfistas amadores até atletas profissionais em pleno Cerrado, distante mais de 900 quilômetros do mar. A estrutura ao redor funcionará como um polo de turismo de experiência e estilo de vida praiano, com praia, restaurantes e dois resorts de padrão internacional.

O desenho urbano é assinado pelo renomado escritório britânico Foster + Partners, internacionalmente conhecido por projetar ícones globais como a sede da Apple na Califórnia (Apple Park) e o Parlamento alemão. O conceito arquitetônico ambiciona colocar Goiânia no mapa do design internacional por meio de um bairro planejado e inteligente, que associa arquitetura de vanguarda e biofilia.

Arquitetura que valoriza a experiência

No mercado residencial, o Alameda Opus traduz outra face dessa transformação. Localizado na região da Alameda Ricardo Paranhos, o empreendimento da Opus Incorporadora oferece residências de 251 a 470 metros quadrados, com quatro ou cinco suítes. A proposta combina arquitetura contemporânea, conforto térmico, privacidade e áreas de lazer, em sintonia com o perfil de uma capital que atrai moradores de outras regiões e amplia a oferta de imóveis de alto padrão.

A expansão não se limita aos edifícios. Restaurantes sofisticados, hotéis, comércio especializado e serviços de lazer formam uma rede capaz de movimentar diferentes setores da economia. A expectativa é de que novos equipamentos ampliem a permanência dos visitantes na cidade, com reflexos positivos sobre hospedagem, alimentação, transporte e geração de renda.

Os condomínios Jardins ajudam a contar a história da expansão do mercado imobiliário de alto padrão em Goiânia e na Região Metropolitana. A incorporadora FGR já lançou mais de 43 empreendimentos da marca. O perfil econômico varia de um condomínio para outro: dados baseados no Censo 2022 apontam renda média mensal dos responsáveis pelos domicílios de aproximadamente R$ 26,5 mil no Jardins Milão e R$ 7,9 mil no Jardins Paris. Naquela época, assim como atualmente, o preço dos imóveis depende da localização, do tamanho e da qualidade da construção. Mais do que residências, porém, esses empreendimentos refletem um estilo de vida alicerçado em seletividade e conforto, que movimenta o setor imobiliário e estimula a oferta de serviços voltados a um público de maior poder aquisitivo.

Segundo o professor da UFG e superintendente do IBGE em Goiás, o economista Edson Roberto Vieira, há indícios de que parte da renda gerada pela agropecuária goiana converge para o setor imobiliário, inclusive para construções de alto padrão. Com uma economia regional em expansão e localização estratégica no coração do Brasil, a menos de 300 quilômetros de Brasília (DF), Goiânia reúne condições para atrair novos negócios, investidores e visitantes. Grandes projetos empresariais podem ampliar esse movimento, impulsionar a hotelaria, a gastronomia, o comércio e o turismo, além de contribuir para a arrecadação pública.

Crescer com planejamento

O desafio está em fazer o desenvolvimento chegar além dos empreendimentos. A gestão Sandro Mabel regulamentou, em agosto de 2026, o Plano Urbanístico Básico (PUB), instrumento destinado ao planejamento de grandes áreas de expansão urbana, com exigência prevista para projetos a partir de 50 hectares. O estudo considera sistema viário, infraestrutura, áreas públicas, densidade de ocupação e conexão com os bairros existentes.

“O objetivo é promover um crescimento mais organizado, com diretrizes viárias definidas de forma integrada entre os empreendimentos e os polos de desenvolvimento econômico”, afirmou Antônio Carlos da Costa, presidente do Secovi Goiás, ao comentar a regulamentação.

A secretária municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico (Seplan), Ana Carolina Almeida, também ressaltou a responsabilidade pública diante da expansão. “É necessário garantir que as novas centralidades estejam conectadas à cidade que já existe”.

É nesse equilíbrio que Goiânia poderá construir sua própria versão de uma metrópole global.

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